Portos e Terminais

Armadores pressionam governo e ministro adia de novo leilão do STS 10

jan, 16, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202603

Excluídos do leilão pela recomendação do TCU (Tribunal de Contas da União), armadores (donos de navios) internacionais, especialmente asiáticos, pressionam o governo federal por ajustes no edital do STS 10, o megaterminal do porto de Santos, segundo apurou a Folha.

Empresários do setor, ouvidos pela reportagem, disseram que companhias concorrentes em um eventual leilão conversam entre si para avaliar a melhor estratégia.

O lobby é pela prevalência do parecer da Antaq (Agência de Transportes Aquaviários). O órgão regulador apresentou a recomendação de que o leilão seja dividido em duas fases. Na primeira, estariam afastados da disputa apenas armadores que possuem terminal no porto de Santos. A medida atinge três das principais empresas mundiais do segmento: Maersk, MSC e CMA CGM.

Elas estariam aptas a participar apenas em uma eventual segunda fase. Mas o consenso é que dificilmente o certame não será encerrado na primeira.

Na votação no TCU, em dezembro de 2025, prevaleceu o voto do ministro revisor, Bruno Dantas. Sob o argumento da verticalização do setor e do risco excessivo de concentração nas mãos de poucas companhias, ele propôs que todos os armadores, não importando a origem e atuação, sejam impedidos de apresentar lances na primeira fase leilão, mesmo que associados a outras empresas.

O acórdão surpreendeu empresários. A pressão começou também porque o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), afirmou que o Ministério seguiria em 100% a recomendação do TCU. Integrantes do governo federal, especialmente na Casa Civil, eram favoráveis a um certame livre de restrições e em fase única.

A questão pode passar pelo conselho do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), órgão colegiado que é comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pessoas ligadas ao TCU disseram à reportagem que a Corte apresentou uma recomendação (não exigência) do modelo de leilão que considera ideal, mas que não avaliou como ilegal o parecer da Antaq. Este poderia ser adotado.

O Tribunal apenas não aceitaria uma modelagem em fase única por alegar ter analisado o leilão sob a ótica da Antaq e seu parecer por duas rodadas.

Mas nos pareceres documentos enviados ao relator do caso, ministro Antonio Anastasia, o Ministério da Fazenda e a área técnica do próprio TCU foram favoráveis à fase única. O Ministério Público para o TCU considerou as restrições ilegais.

O voto de Anastasia, derrotado pelo de Dantas, era pela exigência de um leilão liberado a todos os participantes.

Nesta quinta-feira (15), Costa Filho anunciou novo adiamento. O edital pode acontecer no final de abril, de acordo com ele. A estimativa anterior para a concessão era março. Antes disso, o discurso do governo era que o leilão do STS 10 deveria ocorer até o fim de 2025.

“A nossa expectativa é realizar o leilão até 30 de abril. Será o maior da história do Brasil”, disse o ministro.

A nova data tem dois motivos: tentar aparar arestas com relação ao edital a ser publicado em março e dar tempo para o roadshow, a ser realizado pelo governo federal para vender no mercado os méritos do STS 10 e maximizar o número de propostas no certame.

Costa Filho já disse, repetidas vezes, que o ativo tem dez ou mais empresas interessadas. Isso seria uma marca histórica. Como publicou a Folha, o histórico de leilões portuários é de poucas propostas. Mais da metade teve apenas um interessado.

Mesmo o limite de 30 de abril pode não ser definitivo. No ano passado, a Maersk entrou com um pedido de mandado de segurança alegando de que não houve audiência pública para discutir um leilão com restrições, além da questão concorrencial. Em entrevista à Folha, o diretor de investimentos em terminais da TiL (Terminal Investment Limited), Patricio Junior, afirmou que a subsidiária da MSC pode também entrar na Justiça.

Armadores internacionais, que contavam participar do leilão do ativo que pode movimentar metade das cargas do porto de Santos, também podem adotar o mesmo caminho.

O QUE É O STS 10

O novo terminal terá área de 621 mil metros quadrados e será destinado à movimentação e armazenagem de contêineres e carga geral. O STS10 vai impulsionar ainda mais o Porto de Santos, que já é o maior complexo portuário da América Latina e o principal porto brasileiro em volume de carga movimentada, respondendo por 29% do comércio exterior brasileiro.

O gráfico abaixo apresenta uma visão geral das exportações e importações de contêineres, medidas em TEUs, no Porto de Santos, com dados da Datamar.

Porto de Santos | Exportações x Importações | Jan 2022 – Nov 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

Serão quatro berços, como são chamados os locais de atracação do navio para embarque e desembarque. A previsão de investimento nos 25 anos de concessão pode chegar a R$ 40 bilhões.

Fonte: Folha de S. Paulo

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