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Armadores suspendem bookings e desviam navios após escalada no Oriente Médio

mar, 05, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202610

A escalada do conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Hormuz já provocam impactos diretos nas operações de transporte marítimo global. Grandes armadores anunciaram uma série de medidas emergenciais, incluindo suspensão de reservas, desvio de navios para portos alternativos, sobretaxas e até o encerramento antecipado de viagens para cargas destinadas ao Golfo.

A francesa CMA CGM informou que suspendeu todas as reservas com efeito imediato para diversos portos da região, incluindo Bahrein, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos (com exceção de Fujairah e Khor Fakkan), além do porto iraquiano de Umm Qasr. Na Arábia Saudita, apenas alguns terminais — como Jeddah, King Abdullah Port, Yanbu e NEOM — continuam aceitando operações.

Segundo a empresa, a decisão foi tomada como medida preventiva diante da deterioração da segurança na região. “A segurança de nossas tripulações, embarcações e cargas dos clientes permanece nossa prioridade máxima”, afirmou o armador em comunicado.

Além da suspensão de novas reservas, a companhia também informou que cargas já em trânsito poderão ser desviadas para portos de contingência. Após a chegada nesses terminais alternativos, os clientes precisarão decidir se retirarão a carga localmente, se organizarão transporte terrestre até o destino final ou se solicitarão uma mudança de destino para outro porto.

Todos os custos adicionais decorrentes dessas operações — incluindo armazenagem, demurrage, manuseio e transporte adicional — serão de responsabilidade dos donos da carga.

Fim antecipado de viagens

A situação levou também a MSC, maior armador de contêineres do mundo, a tomar uma medida ainda mais drástica. A companhia declarou End of Voyage (fim de viagem) para todos os embarques sob sua custódia destinados a portos do Golfo Árabe.

Na prática, os navios não seguirão até os destinos finais originalmente previstos. As cargas serão descarregadas no próximo porto considerado seguro e ficarão à disposição dos clientes para retirada ou reorganização do transporte.

A empresa também anunciou a cobrança de uma sobretaxa obrigatória de US$ 800 por contêiner para cobrir os custos de desvio das rotas.

Além disso, despesas adicionais relacionadas ao desembarque das cargas — como manuseio, armazenagem e outras taxas portuárias — também passarão a ser responsabilidade dos embarcadores.

Rotas alternativas e portos de contingência

Outras companhias, como a Hapag-Lloyd, também alertaram que navios podem permanecer temporariamente em águas consideradas seguras ou ser redirecionados para portos alternativos enquanto a situação de segurança não se estabiliza.

Segundo a empresa, as operações portuárias e o trânsito de navios em toda a região do Golfo podem sofrer interrupções significativas. Embarques para países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Bahrein, Iraque, Omã e Iêmen estão sujeitos a atrasos e desvios logísticos.

Sobretaxas e impacto na logística global

A crise já levou os armadores a aplicar diferentes sobretaxas, incluindo War Risk Surcharge (WRS) e Emergency Conflict Surcharge (ECS), destinadas a cobrir o aumento dos custos operacionais e de seguros em áreas consideradas de risco.

Especialistas do setor apontam que, caso a instabilidade se prolongue, os efeitos poderão se espalhar por toda a cadeia logística global, elevando custos de transporte, ampliando tempos de trânsito e pressionando cadeias de suprimentos que dependem do comércio com o Oriente Médio.

O Estreito de Hormuz é um dos principais gargalos do comércio marítimo mundial, responsável pela passagem de uma parcela significativa do petróleo e de outras mercadorias que circulam entre o Golfo Pérsico e o restante do mundo.

Enquanto a situação de segurança permanece incerta, armadores seguem monitorando os desdobramentos e ajustando suas operações em tempo real, com o objetivo de proteger tripulações, embarcações e cargas.

Fontes: Hapag-Lloyd,  MSC, CMA CGM

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