Banco Mundial vê Argentina entre as economias de maior crescimento da região em 2026 e 2027
abr, 09, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202615
O Banco Mundial afirmou que a Argentina se consolidou como uma das “exceções positivas” da América Latina e deve figurar entre as grandes economias com melhor desempenho da região neste ano e no próximo, à medida que os esforços de estabilização e as reformas melhoram as expectativas e as condições financeiras.
Na edição mais recente de seu relatório econômico para a América Latina e o Caribe, a instituição sediada em Washington informou que a economia argentina cresceu 4,4% em 2025 e deve avançar 3,6% em 2026 e 3,7% em 2027. Se as projeções se confirmarem, isso marcará um ponto fora da curva: segundo o relatório, a Argentina não registra três anos consecutivos de crescimento do PIB desde 2008.
“A economia argentina surgiu como a principal surpresa positiva, à medida que a estabilização e as reformas melhoraram as expectativas e as condições financeiras”, disse o Banco Mundial, destacando que as projeções para o país superam as taxas médias de crescimento previstas para a região, de 2,1% em 2026 e 2,4% em 2027.
Will Maloney, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, afirmou que a projeção de crescimento da Argentina é um pouco menor do que a instituição esperava meses atrás, mas classificou a estimativa de 3,6% para 2026 como ainda forte para os padrões regionais. Ele também alertou para uma aceleração recente da inflação.
Maloney disse que as preocupações com a concorrência externa são compreensíveis em um cenário de abertura econômica, mas argumentou que uma maior integração pode ajudar as empresas a ganhar eficiência. Ressaltou, porém, que a região ainda tem relativamente poucas companhias operando na fronteira tecnológica. Com isso, avaliou, muitas empresas podem enfrentar dificuldades, enquanto ainda é cedo para saber quais novos negócios poderão surgir e gerar empregos.
O Banco Mundial atribuiu à consolidação fiscal conduzida pelo presidente Javier Milei parte do fortalecimento do programa econômico do país. O relatório cita a racionalização dos gastos públicos, o corte de ineficiências administrativas e a reformulação dos subsídios aos preços da energia, com foco em retirar benefícios das faixas de renda mais alta, como medidas que ajudaram a ancorar as expectativas de inflação e a reduzir o risco soberano.
A instituição também classificou a melhora da dinâmica fiscal argentina como outra “exceção” em uma região marcada por fragilidade fiscal e custo de financiamento mais elevado. O relatório destaca ainda a queda do risco-país e uma “agenda pró-crescimento”, mencionando a criação do regime de incentivos ao investimento RIGI e avanços em acordos comerciais, inclusive com os Estados Unidos.
Apesar do tom mais otimista em relação ao crescimento, o Banco Mundial alertou que a Argentina ainda enfrenta “riscos relevantes de baixa”, sobretudo ligados ao setor externo, ao endividamento e à entrada de dólares no país. O relatório destaca as necessidades expressivas de financiamento externo em um contexto de reservas internacionais líquidas negativas e acesso limitado aos mercados internacionais de dívida.
Na comparação regional, o Banco Mundial afirmou que a Argentina se destaca entre as maiores economias latino-americanas, embora projete expansão mais forte neste ano para alguns países menores, como Guiana (16,3%), Paraguai (4,4%), Suriname (4,0%) e Panamá (3,9%). Entre as demais grandes economias, as previsões são mais moderadas: Brasil (1,6%), Colômbia (2,2%), México (1,3%), Chile (2,4%) e Peru (2,7%).
Ao analisar o quadro regional mais amplo, o Banco Mundial atribuiu o crescimento relativamente fraco da América Latina a três fatores principais: custo elevado do crédito, associado às limitações fiscais; demanda externa enfraquecida; e pressões inflacionárias decorrentes da incerteza geopolítica mundial, que pesam sobre o investimento privado e a geração de empregos.
O relatório também apontou o que classificou como oportunidades estruturais para a América Latina, entre elas a participação da região nas reservas globais de lítio, seus recursos de cobre e uma matriz energética relativamente limpa, além de um impulso reformista que vem ganhando espaço em vários países. A instituição defendeu o avanço de políticas industriais e setoriais voltadas ao crescimento e ressaltou a importância de recompor a confiança empresarial, destravar o investimento privado e elevar a produtividade.
Segundo o Banco Mundial, a combinação de políticas recomendada inclui investimentos em educação, formação técnica e capacitação em gestão para reduzir lacunas de qualificação; ampliação do acesso ao financiamento para que empresas possam assumir riscos; fortalecimento da capacidade institucional para formular políticas capazes de identificar falhas de mercado; e aprofundamento da integração comercial para ampliar a competitividade. Nesse contexto, o relatório cita o acordo bilateral da Argentina com os Estados Unidos e os avanços no acordo entre Mercosul e União Europeia.
Reportagem original de Esteban Lafuente para o La Nación
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