Brasil bate recorde de exportações aos EUA apesar do cenário de tarifas
ago, 12, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202534
Tudo anda muito incerto no cenário do comércio exterior com os Estados Unidos após o presidente Donald Trump implementar oficialmente, na semana passada, uma sobretaxa de 50% a uma longa lista de produtos brasileiros. Dados da Amcham, a Câmara de Comércio americana, porém, revelaram que no período que antecipou o “tarifaço”, as exportações do Brasil para território americano entre janeiro e julho registraram crescimento de 4,2% sobre o mesmo período de 2024, somando US$ 23,7 bilhões (R$ 128,27 bilhões, na cotação atual), o maior valor já registrado para o período.
Segundo edição especial do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham, as importações também avançaram, com alta de 12,6%, alcançando US$ 26,0 bilhões. Isso ampliou o superávit americano no comércio com o Brasil para US$ 2,3 bilhões no acumulado do ano, uma expressiva alta de 607,9% frente ao mesmo período de 2024.
O resultado sustenta a tendência de vantagem americana nos negócios com o Brasil, que há 15 anos têm déficit na balança comercial com os Estados Unidos. Apesar disso, mercadorias brasileiras tornaram-se alvo da maior alíquota do tarifaço, de 50%, enquanto outras nações que mantém superávit com Washington são alvo de taxas que variam entre 10% e 30%. Para aplicar tarifas aos produtos tupiniquins, outra justificativa, infundada, foi usada pelo governo Trump: a de que há uma “ditadura judicial” no Brasil, e que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no caso da trama golpista, seria uma “caça às bruxas”.
Embora uma lista de quase 700 produtos brasileiros tenha sido poupada da tarifa de 50%, exportações importantes como açúcar e café ficaram expostas. Ainda não há sinal de negociação entre os governos Trump e Lula, que afirmou recentemente que não vai se “humilhar” para abrir um canal com o presidente dos Estados Unidos, e estados estudam criar programas para proteger a indústria nacional. A maior esperança, por ora, é que os setores privados americano e brasileiro possam conversar e fazer o meio de campo num eventual processo de tratativas.
“As exportações brasileiras para os Estados Unidos seguem resilientes e em trajetória de crescimento até julho. Nosso compromisso é seguir trabalhando de forma coordenada com os dois governos para preservar esse comércio, que impulsiona empregos e oportunidades em ambos os países, sobretudo diante dos desafios adicionais que o aumento das tarifas trará daqui para frente”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Embarques antecipados
Em julho, mês em que os Estados Unidos já aplicavam uma sobretaxa de 10%, chamada “base”, e anunciaram o aumento para 50% a partir de agosto, as exportações brasileiras atingiram US$ 3,7 bilhões (mais de R$ 20 bilhões), alta de 3,8% na comparação anual, também um recorde para o mês.
A quantidade embarcada subiu 7,3%, refletindo, segundo a Amcham, uma possível estratégia de antecipação de vendas para evitar o impacto das novas tarifas. Do lado americano, as importações pelo Brasil cresceram em ritmo mais forte. O aumento foi de 18,2% no mês, atingindo US$ 4,3 bilhões (R$ 23,27 bilhões), o segundo maior valor da década.
Entre os dez principais produtos exportados, seis registraram alta em julho, com destaque para:
Aeronaves: +159,0%
Ferro-gusa: +62,5%
Cal e cimento: +46,3%
Petróleo: +39,9%
Suco de frutas: +32,2%
No acumulado do ano, os maiores avanços vieram de carne bovina (+118,1%), sucos de frutas (+61,7%), café (+34,6%) e aeronaves (+31,7%).
Alguns setores, porém, já sentiram os efeitos das tarifas e da concorrência internacional. Entre as principais quedas estão:
Celulose: -14,8% (pressão de produtos canadenses)
Óleos de petróleo: -18,0%
Equipamentos de engenharia: -20,8%
Semi-acabados de ferro ou aço: -8,0% (queda de 64% só em julho)
Açúcar: -49,6% no valor e -51,7% na quantidade, já sob novas tarifas de 50% desde 6 de agosto
Enquanto o déficit dos Estados Unidos no comércio global de bens aumentou 27,8% no primeiro semestre, o Brasil segue como um dos poucos países com os quais Washington mantêm superávit comercial, o quinto maior da lista, que cresceu 57,9% de 2024 para 2025. Ao comparar apenas o mês de junho, por outro lado, o déficit americano diminuiu 8,3%, já demonstrando um possível efeito da aplicação das tarifas recíprocas.
Fonte: Veja
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