exportações de trigo (wheat exports Argentina)

Brasil deve importar mais trigo em 2026, mas reduzir compras da Argentina

maio, 29, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202622

As importações brasileiras de trigo devem aumentar em 2026, à medida que a área cultivada no país diminui devido aos custos mais elevados associados à guerra envolvendo o Irã e às incertezas sobre os impactos de um esperado evento climático El Niño, afirmaram especialistas do setor.

Embora as importações devam crescer, problemas de qualidade no trigo da Argentina, principal fornecedora do Brasil, devem levar o país a buscar mais produto de origens como Rússia e Estados Unidos, provavelmente a custos mais elevados.

“Os moinhos esperam importar entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas de trigo de outras origens (fora do Mercosul)”, disse Rubens Barbosa, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), em entrevista.

O Brasil importou 6,87 milhões de toneladas de trigo no ano passado, e as compras externas podem atingir 7 milhões de toneladas em 2026, segundo Barbosa. Já a consultoria Safras & Mercado projeta importações superiores a 8 milhões de toneladas no ciclo 2026/27.

A última vez que o Brasil importou mais de 7 milhões de toneladas de trigo foi em 2013.

Produção brasileira deve cair diante do aumento dos custos

A qualidade do trigo argentino vem apresentando queda há vários anos e parte da safra mais recente não é adequada para a produção de farinha destinada à panificação, afirmou Barbosa. Segundo ele, isso levará o Brasil a ampliar as importações de trigo dos Estados Unidos e da Rússia.

Apesar de alguns problemas de qualidade, a colheita recorde de mais de 28 milhões de toneladas de trigo da Argentina no ano passado permite que o país continue atendendo à demanda brasileira, afirmou Gustavo Idígoras, presidente da câmara argentina que representa exportadores e processadores de grãos (CIARA-CEC).

“Parte da oferta exportável tinha baixo teor de proteína e foi vendida como ração para o Sudeste Asiático e a China. O restante atende aos padrões de qualidade para trigo panificável e está sendo enviado para mercados tradicionais, como o Brasil”, disse.

No Brasil, crescem as preocupações porque o plantio ocorre em um cenário de custos mais elevados de fertilizantes e combustíveis relacionados ao conflito envolvendo o Irã, afirmou o analista da Safras & Mercado Elcio Bento.

Os produtores também tendem a ser mais cautelosos nos investimentos diante da previsão de ocorrência do El Niño, fenômeno que normalmente provoca chuvas mais intensas no Sul do Brasil — região responsável pela maior parte da produção nacional de trigo —, prejudicando a qualidade do cereal, acrescentou Bento.

Segundo ele, a produção brasileira pode cair quase 2 milhões de toneladas, para pouco mais de 6 milhões de toneladas.

“Em todos esses anos, nunca vi uma safra tão incerta”, afirmou Bento.

Fonte: Successful Farming

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