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Brasil deve reduzir exportações de milho ao Irã

mar, 06, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202610

Ainda que existam muitas incertezas sobre os rumos do conflito no Irã, analistas já consideram que o Brasil vai reduzir suas exportações de milho para o país persa. No ano passado, o Irã foi o principal destino do cereal brasileiro, com 9 milhões de toneladas adquiridas, 23% do volume total exportado pelo Brasil.

Confira a seguir o detalhamento das exportações de milho para o Irã entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025. Os dados são provenientes da Datamar:

Exportações de Milho para o Irã | Jan 2022 – Dez 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Para Roberto Carlos Rafael, sócio da Germinar Agronegócios, o Brasil pode perder mercado inclusive para os EUA, que são produtores e exportadores de milho.

Além da possível competição com os EUA, Rafael também disse que o próprio cenário econômico atual no Irã deve provocar uma redução na demanda.

“O consumo de caprinos e ovinos caiu nos últimos anos no Irã, fazendo o país elevar sua demanda por aves, que por sua vez implicou no aumento cada vez maior das importações de milho. Agora essas compras devem cair pela crise que o Irã deve enfrentar nos próximos meses. A moeda local está em declínio, o que vai tornar as importações muito mais caras”, observou.

Para um trader ouvido pelo Valor, que falou sob condição de anonimato, a lacuna de demanda deixada pelo Irã pode ser ocupada pela China, que já foi o maior importador do milho brasileiro.

“A China pode comprar grandes volumes do Brasil sim, mas tudo vai depender do preço, já que ela tem uma produção cada vez mais forte e também conta com outros fornecedores”, disse. Esse analista também ressaltou que uma parcela do milho que deixará de ser exportado para o Irã poderá ficar no mercado interno, para atender a crescente indústria de etanol de milho.

Já Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, disse que será difícil outro país substituir o volume de compras de milho do Irã. “Ele [o Irã] foi a salvação das nossas exportações em 2025. Sem eles não atingiríamos as 40 milhões de toneladas escoadas, um volume bem acima da média, que geralmente fica entre 4 milhões a 6 milhões de toneladas”, destacou.

Na contramão dos demais analistas, Fernandes afirmou que a China é carta fora do baralho nas exportações de milho do Brasil neste momento. “A China comprou muito milho do Brasil em 2023/24, com 16 milhões de toneladas, mas foi [parte de] um movimento cíclico. Ela abasteceu seus estoques desde então após desempenhos ruins de safras em anos anteriores, e agora ficará três anos sem fazer grandes compras, que não devem passar de 2 milhões de toneladas este ano”, projetou.

Na visão de Enilson Nogueira, analista da Céleres Consultoria, a substituição da demanda iraniana não é simples. “Não vemos outro consumidor com o mesmo potencial de absorção no curto prazo. Se a exportação para o Irã for menor, é um fator de atenção relevante para toda a cadeia do milho”, destacou, em nota.

Fonte: Globo Rural

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