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Brasil e Austrália pressionam China por ampliação de cotas de carne bovina, dizem fontes

maio, 22, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202621

Brasil e Austrália, os dois maiores exportadores de carne bovina do mundo, estão tentando convencer Pequim a ampliar o espaço para seus embarques ao mercado chinês, disseram fontes com conhecimento do assunto. Os dois países se aproximam do limite de suas cotas de exportação para 2026 e correm o risco de ter de interromper os embarques.

A China é o maior importador global de carne bovina. Só no primeiro trimestre deste ano, o país comprou quase US$ 3 bilhões em carne do Brasil e cerca de US$ 1 bilhão da Austrália, segundo dados de comércio exterior chineses.

O problema é que o sistema de cotas adotado por Pequim em dezembro passado, com o objetivo de proteger a produção doméstica, pode impor já no próximo mês uma tarifa de 55% sobre os embarques dos dois países, caso o ritmo atual de exportações seja mantido. Na prática, isso tornaria o comércio inviável.

Pressão por mais acesso

O ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, e o ministro do Comércio da Austrália, Don Farrell, estão na China nesta semana e vêm usando as reuniões com autoridades chinesas para defender uma ampliação das cotas, segundo sete fontes distintas.

Parte das fontes afirmou que Brasil e Austrália querem que a China redistribua em seu favor as parcelas não utilizadas das cotas de outros países.

Até o fim de março, a Argentina havia usado 27,5% de sua cota de exportação, o Uruguai, 15%, e a Nova Zelândia, 14%, segundo dados do governo chinês.

Autoridades australianas também discutiram com Pequim a possibilidade de retirar carne com osso e carne resfriada do sistema de cotas, o que abriria espaço para ampliar o volume total exportado, disseram duas pessoas a par das negociações.

O Ministério do Comércio e a alfândega da China não responderam de imediato aos pedidos de comentário.

A embaixada do Brasil em Pequim também não respondeu.

Ao comentar o tema, um porta-voz do Ministério do Comércio da Austrália remeteu a uma declaração divulgada por Farrell em 18 de maio, na qual ele afirmava que se reuniria com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao. “A Austrália sempre defendeu o comércio livre e justo”, dizia a nota.

Tentativas anteriores e desfecho incerto

Segundo as fontes, Brasil e Austrália já haviam levantado o tema em encontros anteriores com autoridades chinesas.

“Eles vão insistir novamente, mas a China provavelmente voltará a rejeitar o pedido”, disse Isabel Nepstad, presidente-executiva da consultoria BellaTerra, em Xangai, que assessora empresas — entre elas produtores brasileiros de carne bovina — em negócios com a China.

Boa parte do setor chinês de carne bovina vem operando com baixa rentabilidade nos últimos anos. A carne brasileira costuma concorrer diretamente com o produto local, enquanto a Austrália tende a vender cortes mais premium, menos produzidos na China.

A Abrafrigo afirmou neste mês que o Brasil pode perder até US$ 3 bilhões em receita de exportação em 2026 caso a cota não seja alterada.

No caso australiano, analistas avaliam que o país teria mais facilidade para redirecionar parte dos embarques a mercados como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

Depois da visita do presidente americano, Donald Trump, à China na semana passada, Pequim reabriu seu mercado a produtores dos Estados Unidos, o que, segundo Matt Dalgleish, da consultoria australiana Episode 3, pode reduzir ainda mais a chance de ampliação das cotas para outros fornecedores.

Fonte: Reuters

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