Meio Ambiente e Sustentabilidade

Brasil estuda soluções baseadas na natureza para fortalecer resiliência climática dos portos

nov, 06, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202645

Autoridades brasileiras estão estudando como ecossistemas naturais, como manguezais, vegetação costeira e dunas, podem ajudar os portos a se adaptar às mudanças climáticas, em um esforço para fortalecer a resiliência da infraestrutura marítima do país.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o Ministério de Portos e Aeroportos e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima reuniram cerca de 80 representantes do setor portuário, de órgãos governamentais, de instituições de pesquisa e de organizações internacionais em Brasília, nos dias 21 e 22 de outubro, para discutir soluções baseadas na natureza para o setor.

A iniciativa busca integrar a conservação e a restauração de ecossistemas ao planejamento portuário para enfrentar riscos climáticos, além de identificar as condições regulatórias, técnicas e financeiras necessárias para ampliar esses projetos.

“Tratar o capital natural como um ativo estratégico exige uma regulação pública que proporcione segurança jurídica e investimentos privados que deem escala”, afirmou a superintendente de ESG e Inovação da ANTAQ, Cristina Castro.

Iniciativas de resiliência climática dos portos brasileiros analisam projetos existentes

A oficina apresentou exemplos que já estão sendo desenvolvidos ou estudados no Brasil e no exterior.

Entre eles está o Living Seawalls, que utiliza estruturas especialmente projetadas para favorecer a biodiversidade marinha, além de ações de conservação e restauração na Reserva Caruara, vinculada ao Porto do Açu, no estado do Rio de Janeiro.

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná também apresentaram estudos sobre sedimentos e alternativas para reduzir inundações.

Os participantes identificaram diversos obstáculos à adoção mais ampla de soluções baseadas na natureza nos portos, incluindo financiamento, custos de implementação, capacitação técnica, licenciamento ambiental e regulação.

Os grupos de trabalho realizados no segundo dia do encontro compararam experiências existentes e elaboraram recomendações para facilitar a implementação dessas soluções nos portos brasileiros.

Guia de boas práticas está previsto para abril de 2027

As recomendações reunidas durante a oficina serão agora consolidadas em um relatório técnico e em um guia de boas práticas em soluções baseadas na natureza para o setor portuário brasileiro.

A ANTAQ prevê que o guia seja apresentado em abril de 2027, durante a Semana da Década do Oceano, no Rio de Janeiro.

As autoridades também planejam criar uma seção específica no portal da Rede de Desenvolvimento Urbano Sustentável (REDUS) para disponibilizar referências técnicas, exemplos de projetos e materiais de apoio.

A iniciativa integra a Agenda Ambiental e de Segurança Aquaviária 2025–2026 da ANTAQ e também deverá apoiar a implementação do Plano Clima Adaptação do setor de Transportes, que inclui medidas voltadas à redução dos riscos climáticos para a infraestrutura portuária.

O trabalho representa um esforço para incorporar abordagens baseadas em ecossistemas ao planejamento de longo prazo dos portos brasileiros, em conjunto com medidas convencionais de infraestrutura e engenharia, à medida que o setor se prepara para desafios climáticos crescentes.

Fonte: ANTAQ

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