Brasil exportou US$ 700 milhões em produtos beneficiados por corte de tarifas do Acordo UE-Mercosul
abr, 08, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202615
O acordo provisório entre Mercosul e União Europeia, previsto para entrar em vigor em 1º de maio, abre espaço para uma expansão gradual das exportações do agronegócio, com os primeiros ganhos concentrados em produtos agroindustriais de maior valor agregado, como o óleo de soja. Segundo cálculo do Insper Agro Global, o Brasil exportou cerca de US$ 700 milhões ao bloco europeu em produtos agropecuários que terão isenção imediata dentro guarda-chuva dos corte de tarifas do acordo UE-Mercosul.
O agronegócio brasileiro exportou US$ 170 bilhões em 2025, sendo cerca de US$ 25 bilhões para a União Europeia. Bruno Capuzzi, pesquisador do Insper Agro Global, estima que US$ 17 bilhões em produtos vendidos pelo Brasil aos europeus já entram sem tarifa, como soja em grão e café verde. Restam outros US$ 8 bilhões em produtos do agro que serão beneficiados pelo acordo, a maior parte com redução de taxas ao longo de quatro a dez anos. Desse total, cerca de US$ 700 milhões serão alcançados de imediato pelo corte de tarifas UE-Mercosul, ficando isentos assim que o acordo começar.
Além do óleo de soja, produtos como derivados de couro, vinagres, proteínas de farelo de osso e vinhos também ficarão isentos, afirma Capuzzi. Itens como café solúvel, carne bovina e carne de frango terão redução tarifária gradual. As mudanças valerão para todos os países do Mercosul, e não apenas para o Brasil.
“Ainda não sabemos como vai se comportar a demanda, mas o potencial incremento de embarques pode representar uma margem melhor para o produtor rural, sim”, avalia o pesquisador.
O diretor de economia e assuntos regulatórios da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, Daniel Amaral, disse ao Valor que, atualmente, as alíquotas sobre o óleo de soja variam de 3,2% a 9,6%, dependendo da finalidade do produto, industrial ou alimentícia, e do seu grau de processamento, bruto ou refinado. O farelo do grão já é isento.
“Com a implementação do acordo, as tarifas sobre o óleo de soja bruto serão zeradas, enquanto as alíquotas para os demais tipos de óleo serão reduzidas para 4%. Essa desoneração representa um avanço significativo para o acesso do produto brasileiro ao mercado europeu”, afirma.
A expectativa é que o corte de tarifas previsto pelo acordo UE-Mercosul também atraia novos investimentos para toda a cadeia da soja. Ainda assim, a Abiove estima que os ganhos mais expressivos devem ocorrer no longo prazo, e não necessariamente com mudança brusca nos volumes embarcados já neste ano.
Confira a seguir quais foram os produtos mais exportados pelo Brasil aos 27 países da UE durante os dois primeiros meses do ano. Os dados vieram do DataLiner da Datamar.
Principais Produtos Exportados à UE | Jan-Fev | TEUS
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Tarifas sobre o café
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, Cecafé, ressalta que o acordo prevê a desgravação anual das tarifas sobre cafés solúveis, torrados e torrados e moídos do Brasil para entrada no bloco europeu, até chegar a zero em quatro anos. Isso deverá ampliar a competitividade brasileira na União Europeia e, muito provavelmente, elevar as exportações desses produtos, principalmente do solúvel.
No caso do café solúvel, o acordo ganha ainda mais relevância porque a UE é o segundo maior comprador do produto brasileiro, atrás apenas dos Estados Unidos, observa Aguinaldo Lima, diretor de relações institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel. A tarifa para o embarque do solúvel cairá de 7,20% em 2026 para zero em 2030.
Neste momento, outro fator que aumenta a competitividade do café brasileiro, sobretudo o robusta, é o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o Vietnã, principal concorrente do Brasil no mercado europeu. “As rotas podem acabar sendo alteradas para o produto do Vietnã que iria aos europeus, favorecendo o Brasil”, afirma Lima.
Cotas para as carnes
No segmento de carnes, assim que o acordo entrar em vigor e forem emitidas as licenças e certificados de uso da cota, o Mercosul terá uma cota isenta de tarifas de 15 mil toneladas de frango com osso e 15 mil toneladas de frango sem osso, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, ABPA.
O presidente da entidade, Ricardo Santin, lembra que o volume isento aumentará gradualmente por seis anos, até alcançar 90 mil toneladas de frango com osso e 90 mil toneladas sem osso. “O quanto o Brasil vai ter da cota ainda está em discussão entre os países. O Brasil tem a tendência de ser quem vai ter o maior benefício em volume”, afirma. “A UE é um mercado com boa precificação e isso ajuda as margens das empresas. O que ainda não se sabe é o tamanho do benefício.”
No caso da carne bovina, a expectativa do segmento é de crescimento gradual e moderado, de cerca de 5% ao ano, das vendas brasileiras à Europa, segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Abiec.
“O acordo Mercosul-União Europeia é positivo para a carne bovina brasileira, principalmente por melhorar as condições de acesso a um mercado que remunera melhor, com foco em cortes de maior valor agregado, como os do traseiro, já exportados para países como Itália, Espanha, Alemanha e Países Baixos”, afirma.
Na cota Hilton, Perosa diz que a retirada da tarifa de 20% tende a aumentar a competitividade e facilitar o preenchimento integral desse volume. “Já a nova cota de 99 mil toneladas será dividida entre os países do Mercosul, de forma escalonada ao longo de cinco anos. Ainda assim, é importante destacar que isso não representa aumento automático nas exportações, porque parte desse volume já é comercializado hoje e passará apenas a contar com condição tarifária mais favorável”, acrescenta.
Fonte: Globo Rural
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