Carnes

Brasil poderá usar saldo da cota uruguaia de carne bovina para a China, diz Lula

set, 22, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202639

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21) que o Uruguai autorizou o Brasil a utilizar o saldo não aproveitado de sua cota de exportação de carne bovina para a China. A informação foi divulgada por Lula após uma reunião com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York.

“Expressei minha gratidão pela autorização concedida ao Brasil para utilizar o excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China”, escreveu Lula em uma publicação na rede X. O Ministério das Relações Exteriores do Uruguai não havia comentado o assunto até a publicação da reportagem da Reuters.

A autorização pode abrir espaço adicional para os embarques brasileiros ao mercado chinês em um momento de forte pressão sobre a cota do país.

Em janeiro, a China passou a cobrar uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem os limites definidos para alguns dos principais fornecedores, entre eles o Brasil. A medida foi adotada com o objetivo de proteger a pecuária chinesa.

Os dados da comércio exterior da Datamar já mostram a queda abrupta nos embarques de carne bovina congelada para a China. Em julho de 2026, as remessas marítimas totalizaram apenas 2.350 TEUs, uma queda de quase 80% sobre junho.

Exportação de Carne Bovina a China | Jan 2023 – Jul 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Entre novembro e junho, o Brasil já havia utilizado 98,5% de sua cota de 1,1 milhão de toneladas, segundo relatório da StoneX citado pela Reuters. A consultoria estimava que o limite seria atingido em agosto.

Nesse cenário, a possibilidade de recorrer ao saldo da cota uruguaia pode dar algum espaço adicional aos frigoríficos brasileiros para manter embarques à China sem incorrer na tarifa aplicada aos volumes que ultrapassam o limite.

A China é o principal destino da carne bovina brasileira, o que torna qualquer mudança nas condições de acesso ao mercado relevante para frigoríficos, exportadores e toda a cadeia logística envolvida nos embarques.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estimou anteriormente que o volume total exportado pelo Brasil deverá cair 10% em 2026, em meio às restrições impostas por Pequim e à recente limitação das vendas brasileiras de carne para a União Europeia.

Ainda não foram divulgados detalhes sobre o volume exato da cota uruguaia que poderá ser utilizado pelo Brasil nem sobre a forma de implementação do acordo.

Fonte: Reuters

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