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Brasil prepara retomada de exportações de pescados para a União Europeia

jun, 01, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202623

Após quase uma década de restrições, o setor pesqueiro brasileiro vive a expectativa de uma virada estratégica em suas relações comerciais internacionais. Entre os dias 8 e 19 de junho, o Brasil receberá uma missão técnica da DG-Sante, a Direção-Geral da Saúde e da Segurança dos Alimentos da Comissão Europeia, para avaliar as condições sanitárias da cadeia produtiva nacional. A visita marca o primeiro movimento oficial de inspeção desde 2017, quando auditorias europeias identificaram inconformidades que levaram à suspensão das exportações.

O impacto do autoembargo na cadeia produtiva

Em 3 de janeiro de 2018, o Ministério da Agricultura optou por um autoembargo preventivo e temporário, visando adequar o país às exigências rigorosas do bloco europeu. A medida, embora necessária para o ajuste sanitário, gerou reflexos profundos em toda a indústria. Segundo Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, a interpretação das normas na época acabou penalizando injustamente a aquicultura, setor que sempre manteve padrões elevados de controle de qualidade.

Investimentos em rastreabilidade e segurança alimentar

Durante o período de suspensão, o governo brasileiro e a iniciativa privada concentraram esforços na modernização do sistema de controle higiênico-sanitário. Conforme dados da Abipesca, as indústrias investiram pesadamente em rastreabilidade e segurança alimentar. O objetivo foi criar uma estrutura robusta de certificação para embarcações e plantas de processamento, garantindo que o produto nacional atenda aos exigentes critérios de importação da União Europeia.

Logística e abrangência das inspeções técnicas

A comitiva europeia percorrerá diversas regiões estratégicas para validar as melhorias implementadas. As inspeções ocorrerão em unidades de processamento localizadas em Pernambuco, Ceará e Paraná. Além disso, os auditores examinarão embarcações de pesca industrial no Rio Grande do Norte e em Santa Catarina, cobrindo tanto a pesca extrativa quanto os sistemas de cultivo.

Expectativas econômicas e o acordo Mercosul-UE

A retomada das vendas para o mercado europeu é vista como uma oportunidade de expansão vital, sendo o bloco o segundo maior comprador de pescados do Brasil, atrás apenas da Ásia. Estimativas do Ministério da Pesca e Aquicultura indicam um incremento de US$ 250 milhões nas exportações nacionais. O setor também aposta na inclusão dos pescados brasileiros no acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, o que poderia viabilizar a redução de tarifas e aumentar a competitividade do produto nacional no exterior.

Fonte: São Bento em Foco

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