Brasil se move para resolver disputa com a China sobre inspeção de soja
mar, 17, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202612
Na semana passada, uma mudança nos procedimentos de inspeção por parte do Ministério da Agricultura, que tornou as verificações mais rigorosas, reteve 22 navios carregados com soja destinados à China. Após reclamações de tradings, o ministério voltou atrás e implementou uma nova alteração nos procedimentos de inspeção nos portos. As negociações devem começar na próxima semana, quando o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, deve chegar a Pequim para tratar do tema com autoridades chinesas. O objetivo é evitar atritos na relação e ser o mais transparente possível com o maior comprador de soja brasileira, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
Busca por solução permanente
A estratégia do Brasil será mostrar quais plantas daninhas estão presentes no país e convencer as autoridades chinesas de que sua presença nas cargas enviadas à China é baixa ou próxima de zero, não representando risco sanitário aos importadores. A abordagem seguiria o entendimento que a China tem com os Estados Unidos em casos envolvendo impurezas em grãos. Entre os itens recentemente identificados em cargas brasileiras estão carrapicho e sorgo.
No setor privado brasileiro, espera-se que as empresas reforcem os planos de mitigação e introduzam novos controles para evitar que essas plantas daninhas, ou qualquer outro tipo de grão, apareçam nos embarques, apurou o Valor.
Brasil e China não possuem um protocolo fitossanitário específico para o comércio de soja em grão, ao contrário do que ocorre com proteína de soja e farelo de soja. Por essa razão, um acordo sobre o tema é visto como menos burocrático e mais viável.
Confira a seguir um panorama histórico dos embarques brasileiros de soja para a China, medidos em Wet Metric Tons (WTMT), de janeiro de 2023 a janeiro de 2026:
Exportação de Soja à China | Jan 2023 – Jan 2026 | WTMT
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Reunião com tradings
Na segunda-feira, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reuniu-se com presidentes e executivos das maiores tradings que atuam no Brasil, além de associações do setor, para discutir o tema. Participaram da reunião executivos da ADM, Bunge, Amaggi, Louis Dreyfus Company, Cofco, 3 Tentos e Cargill, além de representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
Fávaro não falou com a imprensa após a reunião de 90 minutos na sede do ministério, em Brasília. Representantes das empresas também não responderam aos pedidos de entrevista.
Em nota, o ministério informou que o encontro “reafirmou o compromisso de atuação conjunta para superar eventuais dificuldades e garantir os elevados padrões de qualidade dos produtos enviados do Brasil aos mercados internacionais”.
A pasta afirmou que o objetivo é manter a confiança dos compradores e atender “aos requisitos sanitários e comerciais não apenas da China, mas de todos os países que importam produtos alimentícios brasileiros”.
Ainda assim, tradings e governo concordaram que a “tolerância zero” para a presença de qualquer grão que não seja soja nas cargas é inviável, segundo apuração do Valor.
Na sexta-feira (13), o ministério decidiu que as amostras passarão a ser analisadas por empresas contratadas pelas tradings, enquanto os fiscais agropecuários do governo coletarão apenas uma a cada dez amostras.
Fonte: Valor International
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