Calçadistas brasileiros de olho no aumento da demanda nos EUA
maio, 12, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202520
Empresas brasileiras de calçados, como Grendene e Vulcabras, estão buscando expandir as exportações para os Estados Unidos, antecipando um aumento da demanda após a imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump — especialmente contra a China e outros exportadores asiáticos. Segundo Alceu Albuquerque, CFO da Grendene, a empresa opera atualmente com uma capacidade ociosa entre 30% e 40%, o que permitiria aumentar rapidamente os embarques para os EUA sem a necessidade de investir em novas fábricas.
A Vulcabras, responsável pela distribuição da Under Armour no Brasil, foi procurada no início deste mês para assumir parte da produção da marca que anteriormente era realizada na Ásia. De acordo com o CEO Pedro Bartelle, a Vulcabras já forneceu produtos para a Under Armour durante a pandemia, exportando alguns volumes para os EUA. As negociações continuam, mas dependem da assinatura de um contrato de longo prazo que justifique novos investimentos.
“Não discutimos volumes ainda, mas precisamos que a Under Armour se comprometa a comprar por pelo menos 18 a 24 meses”, disse Bartelle ao Valor. “Mesmo que tomemos a decisão hoje, precisaríamos de pelo menos seis meses para nos prepararmos. Não estamos operando com capacidade ociosa.”
Na última sexta-feira, Trump afirmou que uma tarifa de 80% sobre importações chinesas “parece apropriada”. No início do ano, em meio à escalada das tensões comerciais, cogitou-se a imposição de tarifas de até 145%. No segmento de calçados esportivos, grandes marcas globais como Nike e Adidas ainda dependem fortemente da produção na China e no Sudeste Asiático, incluindo fábricas no Vietnã e na Indonésia — países que também estão na mira de tarifas retaliatórias. O Vietnã, no entanto, está negociando com o governo Trump para evitar uma tarifa de 46%.
Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de calçados para os Estados Unidos a partir de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:
Exportações Brasileiras de Calçados aos Estados Unidos | Jan 2022 – Mar 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025, o CFO da Nike, Matthew Friend, afirmou que a empresa mantém confiança no crescimento da marca “apesar das incertezas macroeconômicas globais”. A Nike prevê uma redução de 0,4 a 0,5 ponto percentual em sua margem bruta no quarto trimestre, em parte devido às tarifas dos EUA sobre importações da China e do México. No trimestre anterior, a margem bruta foi de 41,5%.
A Adidas, em seu balanço do primeiro trimestre de 2025, reiterou suas projeções para o ano, mas alertou para a “incerteza crescente decorrente das tarifas dos EUA e do aumento dos riscos macroeconômicos”. A empresa reconheceu estar “parcialmente exposta às tarifas”, embora já tenha reduzido ao mínimo suas exportações da China para os EUA. Tanto Nike quanto Adidas se recusaram a comentar quando procuradas pelo Valor.
Para a Grendene, a guerra tarifária representa “uma grande oportunidade”, segundo Albuquerque. Embora os calçados brasileiros estejam sujeitos a uma tarifa de 10% nos EUA, essa alíquota é muito inferior às tarifas previstas para produtos chineses. “A Grendene é altamente competitiva, tanto em custo quanto em qualidade. Estamos observando um forte interesse de compradores americanos — tanto novos clientes quanto clientes existentes querendo aumentar seus pedidos para substituir importações da China”, afirmou.
Marcas como Ipanema, Azaleia e Zaxy — parte do portfólio de calçados femininos da Grendene — são vistas como “substitutas naturais” para os produtos chineses. A Grendene pretende utilizar sua capacidade ociosa para atender à demanda americana. Atualmente, a empresa produz cerca de 140 a 150 milhões de pares por ano, mas tem capacidade para aumentar esse volume para 250 milhões de pares, se necessário.
Essa estratégia também está sendo adotada pela Kidy, fabricante de calçados infantis que espera mais que dobrar suas exportações este ano. O CEO Ricardo Gracia explica que a demanda interna mais fraca — devido aos juros elevados e mudanças no comportamento do consumidor — deixou a empresa com capacidade excedente. “O canal de varejo multimarcas, onde atuamos fortemente, está enfrentando dificuldades com o crescimento das plataformas online e a redução do varejo físico. Tivemos que reduzir a produção de acordo”, disse ele ao Valor.
A Kidy pretende investir pelo menos R$1 milhão este ano em melhorias de eficiência, incluindo empilhadeiras robotizadas e equipamentos de costura automatizados. Segundo Gracia, a capacidade atual da empresa é suficiente para atender o crescimento esperado nas vendas.
A empresa também está em negociações com grandes redes de varejo dos EUA, como Macy’s, Target e Nordstrom. Se forem bem-sucedidas, as vendas serão realizadas por meio de um parceiro comercial. A estratégia mais ampla da Kidy inclui recuperar a participação de mercado perdida nos Emirados Árabes Unidos, o que deve impulsionar as exportações em 110% este ano, elevando as vendas externas para 12% do volume total. A empresa espera atingir uma receita bruta de R$183,5 milhões em 2025, um aumento de 13% em relação a 2024. Até 2027, a Kidy pretende exportar 20% de sua produção anual de 3,5 milhões de pares.
Os EUA e os Emirados Árabes Unidos são os próximos mercados prioritários para a participação em feiras internacionais promovida pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), junto com Colômbia, Chile, Japão e Reino Unido. Segundo a Abicalçados, a presença de barreiras tarifárias foi um dos critérios para a escolha desses destinos. Em março, as importações americanas de calçados brasileiros alcançaram 1 milhão de pares — um aumento de 34,8% em relação a março de 2024. Em termos de valor, o crescimento foi de 12%, atingindo US$17,54 milhões. A participação brasileira no mercado americano ainda é modesta, em torno de 0,5%.
Contudo, a Abicalçados alerta para o risco de uma possível “inundação” de produtos asiáticos entrando no Brasil e em outros mercados da América do Sul, como Argentina e Chile. Alceu Albuquerque, da Grendene, afirma que a empresa está bem posicionada para competir no mercado doméstico, graças à sua linha de calçados femininos de baixo custo. “O que pode nos prejudicar é o mercado internacional — exportamos para mais de 100 países, e a produção asiática não vai desaparecer”, observou.
Fonte: Valor International
-
Fruta
maio, 24, 2023
0
Brasil contabiliza a abertura de 20 mercados para produtos do agro em 2023
-
Grãos
fev, 15, 2023
0
Ações tentam inibir saques a trens em direção ao Porto de Santos
-
Portos e Terminais
mar, 01, 2023
0
Após temporal no Litoral Norte, navios da Petrobras descarregam petróleo no Porto de Santos
-
Fruta
jan, 30, 2026
0
Exportação de melão atinge receita recorde de US$ 231 milhões em 2025, mas cenário projeta desaceleração