Canal do Porto de Santos: concessão pode afastar empresas interessadas, alerta especialista
jun, 08, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202624
A modelagem da concessão do canal de navegação do Porto de Santos, atualmente em consulta pública, pode afastar empresas interessadas devido ao nível de risco imposto ao futuro concessionário. O alerta é do diretor-executivo da DEME Brasil, Disney Barroca Neto. A empresa, pertencente a um grupo belga, venceu a primeira concessão de canal de acesso portuário do país, em Paranaguá (PR).
Segundo ele, o modelo proposto para Santos ainda precisa de maior amadurecimento técnico e apresenta exigências financeiras e operacionais elevadas para a iniciativa privada.
A DEME atua no Brasil desde 2006, por meio da Dragabras. Em outubro do ano passado, a companhia venceu o leilão da concessão do canal de acesso de Paranaguá em parceria com a FTSpar. A empresa criada para a operação, Paranaguá Port Channel Company, terá 70% de participação da DEME e 30% da parceira local. A concessão terá duração de 25 anos.
Barroca destacou que, em Paranaguá, o concessionário não é remunerado diretamente pela dragagem, mas pelo aumento da movimentação portuária, o que, segundo ele, cria alinhamento de interesses entre empresa, autoridade portuária e usuários.
“Se eu dragar muito, se eu dragar pouco ou se eu não dragar, isso não muda nada no meu perfil de receita. O que me remunera é o volume de movimentação do Porto de Paranaguá”, afirmou.
De acordo com o executivo, a modelagem de Paranaguá contou com uma base técnica robusta e anos de estudos acumulados, situação que, em sua avaliação, não se repete em Santos.
“Do ponto de vista de estudo técnico, o Porto de Santos não tinha tantos estudos prévios para disponibilizar para quem executou essa modelagem. Isso aumenta muito o perfil de risco.”
Outro ponto criticado é o modelo financeiro previsto.
“O nível de receita e a outorga que estão sendo exigidos no Porto de Santos são muito altos. Você tem que pagar R$ 200 milhões por ano para a Autoridade Portuária e mais a outorga variável. Quando você coloca esses números, já chega no início do contrato em mais ou menos R$ 450 milhões”, disse.
O executivo afirmou ainda que alguns riscos previstos na matriz contratual preocupam o mercado, como os ligados à sedimentação futura do canal e a eventuais acidentes marítimos.
“Esses riscos que o concessionário precisaria assumir são riscos incertos em cima de um perfil de receita, de renúncia de receita, muito acentuado.”
A DEME ainda não definiu se participará da futura disputa em Santos.
“Hoje, não sou capaz de dizer se a gente teria interesse”, concluiu.
Fonte: A Tribuna
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