CAOA vai produzir nova marca em GO em 2026
nov, 28, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202548
Desde que o pai morreu, em 2021, os irmãos Andrade vêm expandindo os negócios da CAOA, empresa da família. Eles investiram R$ 3 bilhões na ampliação industrial em Anápolis (GO), abriram novos empregos e elevaram a receita graças ao aumento de vendas da linha Chery. Mas o passo mais significativo será anunciado nos próximos meses: um novo plano de investimentos para produzir veículos da marca chinesa Changan, a partir de 2026.
Sob o comando dos herdeiros de Carlos Alberto de Oliveira Andrade, que há 46 anos fundou a empresa que leva suas iniciais, o grupo ficou mais robusto. Carlos Alberto Filho, hoje com 26 anos, e Carlos Philippe, com 23, conseguiram elevar a produção em Anápolis de 30 mil carros em 2023 para 60 mil em 2024 e preveem 70 mil em 2025, com a fábrica funcionando 24 horas por dia.
Pela primeira vez, a receita do grupo foi revelada no Valor 1000. Em 2024, a CAOA ocupou o 79º lugar, com receita líquida de R$ 16,8 bilhões, alta de 43% em relação a 2023. Para 2025, os irmãos estimam R$ 20 bilhões em receita. O faturamento já supera o de marcas como Renault (R$ 16,4 bilhões) e Volkswagen Caminhões (R$ 16 bilhões). Além de fabricar e vender veículos, a CAOA possui corretora, consórcio e 140 concessionárias das marcas Chery, Hyundai, Ford e Subaru.
A nova parceria com a Changan será uma aliança estratégica. Os investimentos para instalar a linha de montagem partirão integralmente da CAOA, mas o acordo prevê a possibilidade futura de desenvolvimento conjunto de um carro feito especialmente para o Brasil.
Legado, estratégia e cautela
A CAOA reúne as iniciais do fundador, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, médico paraibano que fez fortuna após comprar uma concessionária Ford falida como compensação pelo carro que lhe venderam, mas não entregaram.
Quando o pai morreu, Carlos Alberto Filho, com 22 anos incompletos à época, acabara de se formar em Economia. Carlos Philippe, com 19, ainda estudava Finanças. Ambos em renomadas universidades dos Estados Unidos. Aparentemente estariam despreparados para assumir os negócios.
Mas, como diz Carlos, o convívio com o pai foi a “melhor faculdade”. Com a ajuda da mãe, Izabela, hoje presidente do conselho, os irmãos assumiram a empresa imediatamente. Mas foram cautelosos e até essa conversa com o Valor não haviam, ainda, concedido entrevistas. Deram tempo ao tempo para terem o trabalho reconhecido e não correrem o risco de serem vistos como herdeiros imaturos que receberam tudo de mão beijada.
Com 7 mil funcionários, mais que o triplo de dois anos atrás, os irmãos compartilham a presidência e tomam juntos todas as decisões, inclusive monitorando o caixa diariamente. Eles também mantêm o estilo agressivo de marketing criado pelo pai, incluindo a exclusividade da voz do locutor Ferreira Martins, conhecido pelos anúncios que apresentam cada modelo como “o melhor carro do mundo”.
A escolha da Changan
A aproximação com a Changan começou em 2019, quando o fundador viajou com a família à China em busca de uma nova parceira. A estatal chinesa, fundada há mais de 100 anos e que começou como indústria bélica, é uma das maiores montadoras locais e recentemente inaugurou sua primeira fábrica fora da China, na Tailândia.
Após quatro anos de negociações interrompidas pela pandemia e pela morte do fundador, os irmãos retomaram o diálogo. Em 2023, Carlos se reuniu com o atual vice-presidente da Changan, Irven Li, e impôs três condições para fechar o acordo:
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Produção local de carros desenvolvidos para o Brasil;
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Uso do nome CAOA Changan no mercado brasileiro;
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Parceria mínima de 20 anos.
Todas as exigências foram aceitas.
A linha da Changan ocupará o espaço deixado pela saída da produção de veículos Hyundai na fábrica de Anápolis. O primeiro modelo permanece em sigilo.
Enquanto isso, a Changan estreia no país com a Avatr, marca superluxuosa concorrente de modelos como Porsche Cayenne. Serão possíveis 42 configurações personalizadas, com prazo de até quatro meses para entrega. Os preços não foram divulgados, e dez clientes já fizeram reserva.
Os presidentes da CAOA afirmam que a chegada de marcas chinesas não é novidade, mas alertam que, com o Imposto de Importação subindo para 35% em 2026, as empresas que não tiverem produção local “terão dificuldades”.
Determinação familiar
Os irmãos não pretendem tirar férias. A vocação pelo empreendedorismo, dizem, foi uma “ordem” do pai, que sempre repetia a mesma pergunta antes de eles saírem para a escola: “O que você vai ser quando crescer?” A resposta ensinada por ele: “Um grande empresário.”
Imagem gerada por Inteligência Artificial
Fonte: Valor Econômico
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