Navegação

China apela a todas as partes para protegerem navios no Estreito de Ormuz

mar, 04, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202610

A China pediu a todos os lados envolvidos na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã que garantam a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz, em um apelo que representa, até o momento, a manifestação mais direta do principal parceiro econômico da República Islâmica pela continuidade do comércio na via marítima.

O tráfego de navios-tanque pela passagem estratégica foi efetivamente interrompido após os Estados Unidos e Israel iniciarem uma campanha de bombardeios no fim de semana, o que levou o Irã a responder com ataques na região.

Como maior importadora mundial de petróleo e gás, a China está entre as nações mais expostas ao fechamento do estreito, embora possua amplas reservas. Para se ter uma ideia, quase metade de suas importações de petróleo bruto transitou pelo estreito em dezembro.

Em uma coletiva de imprensa em Pequim, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que “a China insta todas as partes a cessarem imediatamente as operações militares, evitarem a escalada das tensões e salvaguardarem a segurança da navegação no Estreito de Ormuz”.

Executivos seniores do setor de gás afirmaram anteriormente à agência Bloomberg que a China vem pressionando autoridades iranianas nos bastidores, pedindo que evitem ações que possam interromper as exportações de gás do Catar ou outros carregamentos de energia que passam pelo estreito.

Até o momento, pelo menos quatro navios comerciais teriam sido danificados.

A China tem sido uma tábua de salvação para o Irã, como maior compradora do petróleo do país. Entretanto, a segunda maior economia do mundo também depende de outros países da região do Golfo Pérsico tanto para o abastecimento de petróleo quanto de gás, sendo que o carregamento de ambos precisa transitar pela estreita via marítima.

O Catar, responsável por cerca de um quinto do gás natural liquefeito (GNL) global, é uma preocupação particular. Após um ataque de drone iraniano na segunda-feira, o país suspendeu a produção em Ras Laffan, a maior instalação de exportação de GNL do mundo — a primeira paralisação completa em quase três décadas de operação.

Autoridades governamentais chinesas estão pressionando seus colegas iranianos de alto escalão para garantir que Teerã não ataque petroleiros e navios-tanque de GNL que atravessam o estreito e, em vez disso, permita que os suprimentos continuem fluindo, de acordo com executivos de empresas estatais informados por funcionários do governo.

Os executivos consultados pela Bloomberg disseram que as autoridades iranianas também foram solicitadas a evitar ataques a polos exportadores como o Catar, que sozinho fornece cerca de 30% do GNL importado pela China — uma parcela significativa do total, mesmo considerando a produção que chega por gasoduto e de outras fontes.

Eles pediram à agência para não serem identificados, pois as conversas não são públicas.

Ontem, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse ao seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, que, embora Pequim apoie esforços para salvaguardar a segurança nacional, Teerã deveria prestar atenção às “preocupações razoáveis” de seus vizinhos, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores. O documento não menciona suprimentos de energia.

Em uma coletiva de imprensa anterior, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China havia dito que o país estava “profundamente preocupado” com a disseminação do conflito.

Imagem gerada por Inteligência Artificial

Fonte: Valor Econômico

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