Grãos

China impulsiona forte crescimento das exportações brasileiras de sorgo em meio ao afastamento dos fornecedores dos EUA

ago, 06, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202632

As exportações brasileiras de sorgo programadas para agosto devem superar 400 mil toneladas métricas, com a China absorvendo a maior parte dos embarques. O movimento marca o início das exportações do grão brasileiro em larga escala para o país asiático.

Após o Brasil obter, no fim do ano passado, a aprovação chinesa para seus exportadores de sorgo, o país realizou em janeiro o primeiro embarque do grão para a China desde 2014. A carga, de apenas 25 toneladas, foi amplamente considerada um envio experimental.

A China, no entanto, aprovou rapidamente os fornecedores brasileiros — que já estão entre seus principais abastecedores de produtos de soja e carne bovina — como alternativa aos Estados Unidos, cujos embarques de sorgo ao mercado chinês diminuíram durante o período de guerra comercial em 2025.

A programação de embarques de agosto mostra atualmente seis navios carregando sorgo no Brasil, totalizando 407,7 mil toneladas, desde que eventuais atrasos operacionais não transfiram as cargas para setembro, segundo a agência marítima Cargonave.

“O mercado está aquecido. Acredito que as exportações brasileiras neste ano ficarão entre 500 mil e 800 mil toneladas”, afirmou Gabriel Cordeiro, gerente da chinesa Hang Tung no Brasil, em entrevista.

Com quatro dos seis embarques de agosto previstos para serem carregados no terminal da COFCO em Santos, segundo a Cargonave, a empresa chinesa vem sendo rapidamente considerada a principal participante do negócio brasileiro de exportação de sorgo.

As exportações brasileiras do grão também devem permanecer fortes em setembro e outubro, com base nas vendas já concluídas, afirmou Cordeiro.

As vendas de sorgo brasileiro para a China provavelmente provocarão mudanças significativas no mercado, ao permitirem que os produtores rurais fechem contratos antecipados com tradings, melhorando o planejamento e favorecendo a expansão da área plantada, acrescentou.

A notícia da aprovação chinesa às exportações brasileiras de sorgo contribuiu para estimular o plantio na safra 2025/26. A área cultivada cresceu mais de 30%, alcançando 2,15 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A expansão da indústria brasileira de etanol de grãos, que também utiliza o sorgo como matéria-prima, foi outro fator de estímulo à cultura.

Como resultado, a produção de sorgo — normalmente cultivado como segunda safra no Brasil e mais tolerante à seca do que o milho — deverá crescer cerca de 25% em 2025/26, atingindo 7,6 milhões de toneladas.

Cordeiro também observou que a forte procura pelo sorgo fez com que, por um breve período, seus preços superassem os do milho em algumas regiões.

“Esse é um ponto importante para compreender a força da liquidez e da demanda por sorgo como resultado desse novo mercado impulsionado pela China.”

Fonte: China Global South Project

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