Regras de Comércio

China reduzirá tarifas sobre produtos agrícolas dos EUA, mas lista exclui soja

set, 28, 2026 Postado porSylvia Schandert

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A China deverá reduzir as tarifas sobre uma ampla gama de produtos agrícolas dos Estados Unidos, de milho e trigo a carnes e laticínios. A soja, porém, principal item importado, ficou de fora da lista de redução tarifária divulgada conjuntamente pelo Ministério do Comércio chinês e pela Casa Branca.

Os mercados aguardavam notícias sobre cortes nas tarifas chinesas sobre produtos agrícolas norte-americanos após a reunião de cúpula entre os líderes Xi Jinping e Donald Trump, realizada na semana passada em Washington.

As reduções tarifárias agrícolas fazem parte do pacote de US$ 60 bilhões em cortes tarifários recíprocos negociado pelo Conselho de Comércio e divulgado pela primeira vez na segunda-feira (28).

A lista abrange sorgo, óleos vegetais e farelos, incluindo óleo e farelo de soja, além de carnes, laticínios e outros produtos.

Embora a proposta identifique os produtos contemplados, não especifica quando as reduções tarifárias entrarão em vigor.

Mais de 90% dos produtos abrangidos ficarão isentos de todas as tarifas adicionais impostas entre os dois países e passarão a estar sujeitos às alíquotas de nação mais favorecida, informou o Ministério do Comércio em comunicado.

A soja norte-americana, no entanto, continua sujeita a uma tarifa adicional de 10%, que, segundo operadores, é alta demais para ser absorvida pelas processadoras privadas, mesmo com o aumento das compras por empresas estatais chinesas.

“Embora a soja não seja um produto sensível no comércio, o significado político das compras chinesas é enorme e traz grandes implicações políticas”, afirmou Feng Chucheng, fundador e sócio da Hutong Research. Manter a soja em uma negociação separada dá a Pequim poder de barganha nas relações com Washington, especialmente antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA”, acrescentou Feng.

As empresas agrícolas estatais chinesas Sinograin e COFCO compraram mais de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana, quase metade dos 25 milhões de toneladas que, segundo a Casa Branca, Pequim se comprometeu a adquirir anualmente até 2028.

O comércio dos produtos agrícolas e relacionados incluídos na lista de segunda-feira somou cerca de US$ 17 bilhões em 2024, valor aproximadamente equivalente ao compromisso de compras atribuído à China, excluindo a soja, segundo cálculos da Reuters.

Em maio, a Casa Branca afirmou que Pequim havia concordado em comprar esse montante anualmente até 2028, mas a China ainda não confirmou nenhuma meta para essas aquisições.

As estatais continuarão comprando soja norte-americana, e os cortes tarifários sobre outros produtos ajudarão a China a cumprir o compromisso de US$ 17 bilhões, afirmou, sob condição de anonimato, um operador baseado na Ásia que trabalha em uma empresa internacional fornecedora de soja ao mercado chinês.

Sem as tarifas, o custo da soja entregue na China é de aproximadamente US$ 595 por tonelada, tanto para o produto norte-americano quanto para o brasileiro. No entanto, a soja brasileira costuma ser preferida por seu maior teor de óleo e proteína, segundo operadores. Nesses patamares de preço, as processadoras privadas chinesas operam com margens negativas.

O contrato de soja mais negociado na Bolsa de Chicago (CBOT) recuava 1,38%, cotado a US$ 13,0075 por bushel, às 7h09 GMT.

Fonte: Reuters

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