Economia

China surfa onda da IA e exportações superam previsões

jun, 10, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202624

O crescimento das exportações da China acelerou em maio, impulsionado pela forte demanda por chips, automóveis e outros produtos de alta tecnologia ligados ao boom global da inteligência artificial (IA), trazendo algum alívio aos formuladores de políticas em meio aos impactos dos choques nos preços da energia causados pelo conflito com o Irã.

O aumento dos investimentos globais em IA ajudou a maior potência manufatureira do mundo a compensar o impacto negativo que muitos esperavam para as exportações em razão das tensões no Oriente Médio. No entanto, surgem sinais de que a formação de estoques associada ao aumento dos custos de energia está perdendo força, à medida que compradores internacionais reduzem seus estoques enquanto aguardam um cessar-fogo.

As exportações cresceram 19,4% em maio na comparação anual, em valor, superando o avanço de 14,1% registrado em abril e a previsão de 15% dos economistas, segundo dados divulgados pela alfândega chinesa.

As importações também apresentaram forte desempenho, avançando 27,4%, acima do crescimento de 25,3% observado no mês anterior. Analistas projetavam alta de 25%.

“Os aumentos nos preços dos chips continuam sustentando as exportações. Os preços das memórias subiram 20% em relação ao mês anterior, impulsionando o crescimento das exportações de circuitos integrados para 111% no mês”, afirmou Xing Zhaopeng, estrategista sênior para a China do ANZ.

As exportações chinesas de equipamentos automatizados para processamento de dados saltaram 66,1% em valor na comparação anual. Os produtos de alta tecnologia cresceram 50,9%, enquanto os embarques de automóveis avançaram 39%.

“O tema da IA está longe de terminar — os chips estão redefinindo o panorama comercial da China”, acrescentou Xing.

O boom da inteligência artificial vem impulsionando a demanda por semicondutores utilizados em centros de dados e eletrônicos avançados, favorecendo a forte base industrial chinesa.

Entretanto, fora do setor de IA, alguns segmentos mostram sinais de enfraquecimento. As exportações de móveis cresceram apenas 1,9% em maio, enquanto os embarques de brinquedos caíram 7% e as exportações de calçados recuaram 10,4%.

Dados separados sobre a atividade industrial mostraram uma forte queda nos novos pedidos de exportação em relação ao pico de dois anos registrado em abril, quando operadores logísticos relataram uma intensa corrida de fábricas estrangeiras para garantir suprimentos.

As exportações fortes ajudaram a economia chinesa, estimada em US$ 20 trilhões, a superar as expectativas no primeiro trimestre. No entanto, focos de fraqueza reforçam as preocupações de que a demanda doméstica ainda frágil deixe o país vulnerável a uma desaceleração global, aumentando a probabilidade de novos estímulos econômicos.

O superávit comercial da China alcançou US$ 105,43 bilhões em maio, acima dos US$ 84,8 bilhões registrados em abril e superior à previsão de US$ 92,1 bilhões.

Os números mais recentes sugerem que a capacidade industrial excedente da China continua contribuindo para parte desse crescimento das exportações.

As vendas para a Europa cresceram 7,6% em maio na comparação anual, enquanto as exportações para os Estados Unidos avançaram 35,4% e para o Sudeste Asiático aumentaram 24,3%.

As importações provenientes da Coreia do Sul dispararam 83,6%. A China é o principal mercado para os chips sul-coreanos.

Terras-raras em destaque

A influência econômica da China também repercute no mercado de petróleo. O maior comprador mundial de energia surpreendeu o mercado ao reduzir suas aquisições. As importações de petróleo bruto caíram 29% em maio, atingindo o menor nível em oito anos, ajudando a conter os preços globais e a amortecer parcialmente o choque energético provocado pela guerra do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Irã.

Uma reunião realizada no mês passado entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, ajudou a reduzir as tensões entre as duas potências, mas não produziu avanços significativos, nem nas disputas tarifárias nem na cooperação para encerrar o conflito com o Irã.

Por outro lado, as exportações chinesas de terras-raras atingiram o maior nível em quatro meses. O maior produtor mundial embarcou 5.490 toneladas métricas do grupo de 17 elementos essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias de defesa — outro ponto de atrito nas relações comerciais entre Pequim e o Ocidente.

Segundo Sheana Yue, economista sênior da Oxford Economics, as vantagens da China em escala, cadeias de suprimentos e capacidade industrial a colocam em posição favorável para absorver atritos comerciais com o Ocidente, incluindo propostas de aumento de tarifas dos Estados Unidos.

“Continuamos esperando que as exportações sejam o principal motor de crescimento da China em 2026, sustentadas pelos produtos de alta tecnologia e tecnologias limpas, apesar dos desafios à demanda global decorrentes dos conflitos”, afirmou.

Fonte: Reuters (Joe Cash)

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