Com desaceleração do aço na China, Vale vê Índia como novo motor de crescimento para suas exportações de minério de ferro
jun, 09, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202624
A Vale, maior produtora global de minério de ferro, não enxerga evidências de redução da demanda por seus minérios relacionada à guerra nos mercados de metais e tem visto margens crescentes à medida que o conflito com o Irã interrompe o fluxo de matérias-primas, afirmou o CEO Gustavo Pimenta.
A mineradora brasileira está focando na exploração de seus próprios recursos em vez de buscar aquisições, disse Pimenta em entrevista ao serviço de TV da agência Bloomberg no Rio de Janeiro. A demanda mundial por minerais críticos tem sido “superconstrutiva” para a mineradora brasileira, acrescentou.
As interrupções no Estreito de Ormuz aumentaram os preços dos combustíveis e os custos de frete para mineradoras como a Vale, que viu pressões de custos compensarem os ganhos de preço e produção durante o primeiro trimestre.
A empresa elevou em US$ 1,5 bilhão a previsão de fluxo de caixa livre para seu principal produto, o minério de ferro, para refletir a alta nos preços da commodity desde o início da guerra com o Irã. A empresa agora espera que o minério tenha um preço médio de US$ 112 por tonelada este ano, acima dos US$ 102 previstos em seu cenário pré-conflito.
Dados de comércio exterior da empresa Datamar mostram que o Brasil exportou 101.136.036 toneladas de minério de ferro ao exterior entre janeiro e abril de 2016. Confira os volume mensais de exportação registrados na plataforma DataLiner:
Exportação de Minério de Ferro | Jan 2023 – Abr 2026 | WTMT
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Aço indiano
Pimenta afirmou na entrevista que está “muito otimista” em relação às perspectivas para o ano. Embora a China, um dos principais importadores de minério de ferro do Brasil, provavelmente já tenha atingido seu pico de produção de aço, a Vale prevê que o crescimento da demanda será impulsionado cada vez mais por outras regiões, como o Sudeste Asiático, a Europa e os Estados Unidos.
A Índia será um importante motor de crescimento, dobrando sua produção de aço bruto na próxima década, afirmou o CEO.
A Vale suspendeu as operações de um complexo de pelotização em Omã até o terceiro trimestre, devido a restrições logísticas relacionadas à guerra. As operações da Vale em Omã têm uma capacidade de produção anual de 9 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro, ou aproximadamente 29% da produção total da empresa.
Ontem, Pimenta afirmou que a reabertura terá que esperar até que o conflito arrefeça. Apesar da guerra no Oriente Médio, a Vale considera Omã um centro estratégico para abastecer clientes na região, disse ele.
Terras-raras
A Vale tem estudado se uma incursão no setor de terras-raras faz sentido estratégico para a empresa, incluindo a avaliação de oportunidades no Brasil. O país sul-americano detém as maiores reservas mundiais dos 17 elementos essenciais para a transição energética fora da China.
No entanto, Pimenta afirmou que ainda existem dúvidas, principalmente em relação à escala e à capacidade da Vale de competir efetivamente com os produtores internacionais consolidados de terras raras. Por ora, a prioridade da Vale é concentrar-se em áreas onde possui expertise e escala, como cobre e níquel, observou ele.
Fonte: O Globo
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