Navegação

Com restrições no Estreito de Ormuz, Canal do Panamá ganha relevância nas rotas globais

mar, 17, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202612

Com a escalada do conflito no Estreito de Ormuz pressionando os custos de combustível e frete, o Canal do Panamá tem registrado aumento na demanda por travessias, consolidando-se como rota alternativa para o comércio marítimo internacional.

O canal, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico em um ponto estratégico entre as Américas, vem recebendo um “leve aumento” no número de navios, segundo a vice-administradora da Autoridade do Canal do Panamá, Ilya Espino de Marotta.

“O que temos observado mais recentemente é um aumento — ainda que moderado — no número de trânsitos”, afirmou Espino de Marotta em declaração à CNN. “Com os preços de combustível mais elevados, o Canal do Panamá se torna uma rota mais atrativa por ser mais curta.”

Com cerca de 80 quilômetros de extensão, o Canal do Panamá tem menos da metade do comprimento do Canal de Suez, no Egito, que possui aproximadamente 193 quilômetros.

A autoridade também destacou que, devido a um período seco atipicamente úmido neste ano, foi possível ampliar a capacidade operacional para 40 a 41 trânsitos diários, acima da média histórica de 36.

O aumento chama atenção após os impactos da seca severa registrada durante o fenômeno El Niño em 2023 e 2024. Naquele período, o nível de água do Lago Gatún — responsável por alimentar o sistema de eclusas — caiu a níveis históricos, reduzindo a capacidade do canal para cerca de 24 trânsitos por dia.

Segundo Espino de Marotta, a operação atual acima de 40 trânsitos não é sustentável no longo prazo, mas o canal consegue manter cerca de 38 travessias diárias de forma consistente, atendendo à demanda do setor.

Questionada sobre a origem dos novos fluxos, a executiva afirmou não haver dados precisos, mas indicou que os navios estão utilizando o canal como rota alternativa às tradicionais passagens afetadas pelo conflito.

Possível impacto no transporte de GNL

Além do petróleo, o Estreito de Ormuz é uma rota central para o transporte global de gás natural liquefeito (GNL). Dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) indicam que cerca de 20% do comércio mundial de GNL passa pela região.

Com as restrições à navegação, os custos de frete para o GNL norte-americano aumentaram significativamente, e o mercado asiático tem se consolidado como novo polo de demanda, à medida que países buscam alternativas de abastecimento.

Desde o início do conflito, ao menos quatro cargas de GNL dos Estados Unidos foram redirecionadas da Europa para a Ásia, refletindo a reorganização dos fluxos energéticos globais.

Sobre a possibilidade de o Canal do Panamá captar parte desse movimento, Espino de Marotta afirmou que há potencial para crescimento, mas ressaltou que fatores geopolíticos continuam influenciando as rotas.

Ela destacou que, no contexto atual, os Estados Unidos ainda encontram maior rentabilidade no envio de GNL da costa leste para a Europa, em razão das mudanças no mercado energético europeu após o conflito entre Rússia e Ucrânia.

Ainda assim, com a persistência das restrições no Estreito de Ormuz, a autoridade afirmou que o Canal do Panamá está preparado para absorver uma parcela maior do fluxo global de combustíveis.

Fonte: Texto de Max Saltman e Stephanie Yang para a CNN

Sharing is caring!

Post Relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.