Comércio do Brasil com a China bate recorde em 2026
out, 15, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202642
As exportações brasileiras para a China, as importações provenientes do país e a corrente de comércio bilateral atingiram níveis recordes nos primeiros nove meses de 2026, consolidando a posição da nação asiática como principal destino das exportações e maior origem das importações do Brasil.
Os embarques brasileiros para a China cresceram 12%, para US$ 84,7 bilhões, de janeiro a setembro, na comparação com o mesmo período de 2025, enquanto as importações aumentaram 9,9%, para US$ 58,6 bilhões. A corrente de comércio entre os dois países, que soma exportações e importações, alcançou US$ 143,3 bilhões.
O Brasil registrou superávit comercial de US$ 26,1 bilhões com a China, impulsionado principalmente por soja, petróleo bruto e minério de ferro. As três commodities, que há muito constituem a base das exportações brasileiras para o mercado chinês, ainda representam mais de 77% dos embarques. Os números foram compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Exportações de commodities
A soja permaneceu como o principal produto exportado pelo Brasil para a China, gerando US$ 30 bilhões em vendas entre janeiro e setembro. A China respondeu por 70% dos embarques brasileiros de soja. O petróleo bruto ficou em segundo lugar, com US$ 21,8 bilhões, aumento de 49% em relação aos primeiros nove meses de 2025.
O minério de ferro ocupou a terceira posição, seguido pela carne bovina, sujeita a uma cota anual de importação imposta por Pequim neste ano. Como resultado, as exportações brasileiras de carne bovina para a China caíram 8,5%.
As exportações de carne de frango seguiram na direção oposta. As vendas de carne e miudezas de frango para a China avançaram 113% em valor e 86% em volume no período de nove meses. O frango ocupou a sétima posição entre os dez principais produtos exportados pelo Brasil para o país asiático, mas registrou os maiores ganhos relativos do grupo.
O minério de cobre também se destacou neste ano, com crescimento de 7,8% nos embarques, ocupando a oitava posição entre os dez principais produtos exportados pelo Brasil para a China.
Novas oportunidades de exportação
Outros produtos poderão entrar em breve na lista dos dez principais itens exportados pelo Brasil para a China, afirmou Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC. Ele destacou o crescimento expressivo do sorgo e dos grãos secos de destilaria (DDG), um coproduto da produção de etanol de milho.
Os embarques dos dois produtos dispararam após a implementação de acordos bilaterais entre Brasil e China.
O DDG é utilizado na alimentação animal. O Brasil exportou US$ 204 milhões do produto para o mundo, com a China respondendo por 53% do total. As vendas para o mercado chinês eram pouco expressivas no ano passado, mas cresceram após a assinatura de um protocolo entre Brasil e China em maio de 2025, segundo o estudo do CEBC. Os embarques começaram efetivamente em fevereiro.
O sorgo teve acesso ao mercado chinês por meio de um acordo fitossanitário bilateral assinado no fim de 2024. As exportações aceleraram neste ano, alcançando US$ 170 milhões entre janeiro e setembro.
“Os embarques de sorgo e DDG são particularmente importantes em um momento em que a China busca diversificar seus fornecedores de produtos para alimentação animal, ao mesmo tempo que aumenta a produção doméstica”, afirmou Cariello.
Outro destaque das exportações, embora ainda fora da lista dos dez principais produtos, é o espodumênio, mineral utilizado na extração de lítio e que integra a crescente demanda chinesa por minerais críticos.
As exportações brasileiras de espodumênio para a China somaram US$ 172,3 milhões entre janeiro e setembro de 2026, um salto de 339% em relação ao mesmo período do ano passado. A China comprou 97% das exportações brasileiras do mineral.
Importações de veículos chineses
Do lado das importações, os veículos eletrificados estiveram entre os principais destaques. Após crescerem continuamente, mês a mês, durante o primeiro semestre, as importações recuaram em julho e agosto.
Em julho, o Brasil elevou as tarifas de importação de veículos eletrificados para 35%, ante alíquotas anteriores de 25% ou 30%, dependendo das especificações dos veículos. Apesar do aumento, os embarques de veículos chineses voltaram a apresentar volumes expressivos em setembro.
De janeiro a setembro, as importações de veículos eletrificados chineses, incluindo híbridos convencionais, híbridos plug-in e modelos totalmente elétricos, alcançaram US$ 5,9 bilhões. O valor representou cerca de 10% do total das importações brasileiras provenientes da China no período.
Cariello afirmou que os números indicam que as importações de veículos chineses em 2026 não são apenas uma resposta ao cronograma tarifário do primeiro semestre.
“Os veículos elétricos continuarão crescendo nos próximos meses, pelo menos até o fim do ano, porque a China está de fato estabelecendo um mercado no Brasil. Os emplacamentos de veículos eletrificados no país mostram isso”, disse.
Os herbicidas também tiveram destaque entre as importações brasileiras de produtos chineses, ocupando a terceira posição entre as dez principais categorias.
No segmento de tecnologia da informação, os chips de memória se destacaram pela acentuada divergência entre os volumes e os valores importados. Enquanto a quantidade importada caiu 11% entre janeiro e setembro, o valor dessas importações disparou 237%.
Fonte: Valor International
-
Portos e Terminais
out, 25, 2023
0
Túnel Santos-Guarujá é tema de reunião entre ministro de Portos e governador Tarcísio de Freitas
-
Economia
fev, 01, 2022
0
Balança comercial: importações superam exportações em janeiro
-
Portos e Terminais
maio, 06, 2024
0
Ministro de Portos e Aeroportos destaca potencial do Complexo do Pecém na transição energética
-
Portos e Terminais
fev, 12, 2026
0
Expansão do Porto de Santos pode trazer até 30 novos terminais ao litoral de São Paulo, projeta APS