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Comércio exterior e estoques elevados derrubam preço do leite em 25,8% em 2025

jan, 29, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202605

O setor lácteo brasileiro encerrou 2025 sob forte pressão deflacionária, impulsionado por uma combinação de avanço na produção interna e manutenção de altos volumes de importação. Segundo dados do Cepea (Esalq/USP), o preço do leite pago ao produtor acumulou uma queda real de 25,8% no ano, fechando dezembro em R$ 1,99 por litro — o nono recuo mensal consecutivo.

Importações recordes e estoques pressionados

A balança comercial de lácteos desempenhou um papel central na formação dos preços em 2025. Mesmo com um recuo pontual no último bimestre, o Brasil importou 2,21 bilhões de litros em equivalente leite ao longo do ano. O volume é apenas 5,9% inferior ao registrado em 2024, que foi o ano recorde da série histórica de compras externas.

A entrada massiva de produtos estrangeiros, somada a um aumento de 15,4% na captação interna (ICAP-L), gerou um excedente de oferta que as indústrias não conseguiram escoar. O resultado foi um acúmulo de estoques de derivados que forçou a desvalorização em toda a cadeia produtiva.

Enquanto as importações permaneceram em patamares elevados, o desempenho exportador do Brasil enfraqueceu. Os embarques de lácteos recuaram 31,6% em 2025, totalizando apenas 67,58 milhões de litros em equivalente leite.

Dados da plataforma DataLiner da Datamar mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil registrou a chegada de 6.103 TEUs carregados de produtos lácteos por via marítima. Essa cifra revela uma alta de 10.3% no comparativo anual.

Veja abaixo mais detalhes das importações brasileiras de produtos lácteos, segundos os dados da Datamar:

Importação de Lácteos | Janeiro – Novembro | 2022 – 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

A baixa competitividade do produto brasileiro no mercado externo e a retração na demanda de parceiros comerciais estratégicos limitaram as opções de escoamento do excedente doméstico, aumentando a dependência do consumo interno, que já operava com margens pressionadas.

Impacto na rentabilidade e custos

O cenário de comércio exterior desfavorável refletiu diretamente na negociação entre indústrias e varejo. Em dezembro, os preços médios da muçarela e do leite UHT caíram 1,38% e 6,67%, respectivamente.

Para o produtor, a crise é agravada pela perda do poder de compra frente aos insumos. Com a valorização do milho, a relação de troca piorou significativamente: em dezembro, foram necessários 34,87 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg do grão, um aumento de 21,7% em relação à média dos últimos 12 meses. Sem o alívio das exportações e com a pressão das importações, a margem operacional do setor entra em 2026 em patamares críticos.

Fonte: CEPEA

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