Comitiva do Brasil viaja ao México para discutir parcerias comerciais
ago, 25, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202536
Uma comitiva do Brasil viaja ao México no início da semana para discutir parcerias comerciais, em meio ao tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A missão comercial será liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.
Ao mesmo tempo que mantém sua posição de negociar com a administração de Donald Trump, o governo brasileiro avalia possibilidade de abertura de mercados para redirecionar, pelo menos, em parte, as exportações. E anunciou medidas de socorro a setores e empresas que mais tiveram seus negócios prejudicados pelas tarifas.
Neste fim de semana, ao participar de um evento do Partido dos Trabalhadores, em Brasília, Alckmin destacou que o tarifaço atinge, atualmente, 36% das exportações do Brasil para os Estados Unidos. Os setores que mais preocupam, segundo o vice-presidente, estão na indústria, entre eles o têxtil e o de máquinas e equipamentos.
Nas relações com o México, entre os setores com potencial de reforçar relações comerciais, estão biocombustíveis, combustível sustentável de aviação (SAF) e agroindústria. “Temos uma corrente de comércio com o México muito significativa”, disse Alckmin, no sábado, conforme o portal G1.
No ano passado, as exportações do agronegócio brasileiro para o mercado mexicano somaram 3,23 milhões de toneladas de produtos, com uma receita de US$ 2,92 bilhões, informa o sistema de estatísticas Agrostat, do Ministério da Agricultura. As vendas, em valor, foram lideradas pelos setores de carnes, complexo soja, produtos florestais, café e complexo sucroalcooleiro.
Exportações do Brasil para o México – Agronegócio/2024
| Produto | Valor (em US$ milhões) | Volume (em mil toneladas) |
| Carnes | 881,2 | 310,38 |
| Complexo soja | 699,3 | 1.603,23 |
| Produtos florestais | 571,75 | 893,14 |
| Café | 307,98 | 81,19 |
| Complexo sucroalcooleiro | 98,99 | 174,12 |
| Totais | 2.924,07 | 3.230,99 |
Fonte: Agrostat/Mapa (ranking baseado na receita das exportações)
No início de julho, o México retirou o embargo à carne de frango do Brasil, adotado por causa do foco de gripe aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. O país é o oitavo principal comprador do produto brasileiro. Até o caso da doença, as vendas vinham em trajetória de crescimento. No acumulado de janeiro a maio deste ano, foram 86,8 mil toneladas, 44,8% a mais que no mesmo período em 2024.
Já a indústria de café solúvel do Brasil tem no México um concorrente no mercado americano. Os mexicanos são o segundo maior fornecedor mundial do produto e, com o tarifaço, podem ocupar um espaço que seria dos exportadores brasileiros. A cadeia do café, de uma forma, geral, ainda tenta entrar na lista de exceções dos Estados Unidos, a exemplo do que ocorreu com o suco de laranja.
No dia 31 de julho, os governos de Donald Trump e de Claudia Scheinbaum acertaram uma pausa de 90 dias na cobrança de tarifas, com a intenção de negociar as relações comerciais bilaterais.
(*com G1 e Agência Brasil)
Fonte: Globo Rural
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