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Confiabilidade dos itinerários na Costa Leste da América do Sul cai para 34%

set, 22, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202639

A confiabilidade dos itinerários marítimos na Costa Leste da América do Sul caiu 12 pontos percentuais em agosto, para 34%, enquanto os atrasos médios dobraram para 5,4 dias, segundo análise da Xeneta.

Parte da piora foi atribuída à greve de práticos que paralisou portos argentinos por três dias no início de agosto. A interrupção acrescentou 1,6 dia ao atraso médio das escalas em portos como Buenos Aires e levou algumas armadoras a desviar volumes de carga para terminais vizinhos, incluindo Montevidéu, no Uruguai, e Itajaí, no Brasil.

Segundo a Xeneta, o momento da paralisação foi particularmente sensível porque coincidiu com o último mês da principal temporada de exportação da Argentina e com a aproximação do pico das exportações brasileiras.

Apesar da queda em agosto, a Costa Leste da América do Sul, conhecida pela sigla ECSA, ficou apenas ligeiramente atrás da Costa Oeste da América do Sul, onde a confiabilidade dos itinerários chegou a 37%. A região continuou, ainda assim, entre as três rotas com melhor desempenho no mundo.

“O principal ponto é que os atrasos médios [na ECSA] já dobraram para 5,4 dias, enquanto a pontualidade caiu 12 pontos percentuais, para 34%, em agosto”, afirmou a Xeneta.

A consultoria acrescentou que há “pouca margem restante para absorver novas interrupções antes do pico da temporada de exportações do Brasil”.

A Xeneta avaliou ainda que restrições de calado no Canal do Panamá representam uma ameaça menor para a Costa Leste da América do Sul, já que todos os serviços vindos da Ásia, com exceção de um, utilizam a rota pelo Cabo da Boa Esperança.

A empresa também observou que a temporada de tempestades no Atlântico, que normalmente atinge seu pico em setembro, permaneceu relativamente tranquila até agora.

Confiabilidade global cai pelo terceiro mês seguido

No cenário global, a confiabilidade dos itinerários no transporte marítimo de contêineres caiu pelo terceiro mês consecutivo em agosto.

O indicador recuou quatro pontos percentuais em relação a julho, para 29%, o segundo pior resultado dos últimos 12 meses. Com isso, praticamente se perdeu a recuperação observada desde fevereiro, quando a confiabilidade havia atingido o piso de 27%.

Os atrasos médios globais também aumentaram, passando de 4,2 dias em julho para 5,1 dias em agosto.

“Quando a gravidade dos atrasos coincide com uma frequência maior de escalas fora do horário previsto, a recuperação se torna mais difícil de alcançar e sustentar”, afirmou a Xeneta.

Entre as regiões e rotas mais afetadas estiveram a África, onde a confiabilidade caiu 15 pontos percentuais, para 21%; a Costa Leste da América do Sul, com queda de 12 pontos; e o corredor Extremo Oriente-Europa, que recuou 10 pontos, para apenas 6% de pontualidade, com atraso médio de 8,2 dias.

Maersk lidera entre armadoras, apesar da piora

Dez das 12 maiores armadoras de contêineres apresentaram queda na confiabilidade dos itinerários em agosto.

A Maersk liderou o grupo, com 51%, seguida pela Hapag-Lloyd, com 46%. Ainda assim, os índices das duas companhias caíram seis e sete pontos percentuais, respectivamente, em relação ao mês anterior.

A CMA CGM recuou sete pontos, para 33%, enquanto a COSCO caiu seis pontos, para 22%.

Segundo a Xeneta, a diferença de 45 pontos percentuais entre o desempenho das armadoras mostra que a escolha do transportador segue sendo uma das principais ferramentas à disposição dos donos de carga para reduzir riscos de atraso durante a temporada de contratação.

Fonte: MundoMaritimo

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