Cooperativa brasileira exportará açaí para a Argélia
jun, 25, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202626
O açaí produzido por uma cooperativa do Norte do Brasil está prestes a chegar aos consumidores argelinos. Localizada no Arquipélago do Bailique, em Macapá (AP), a Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas do Bailique e do Baixo Amazonas (Amazonbai) prevê embarcar, no segundo semestre de 2026, um contêiner com 10 toneladas do produto para o mercado da Argélia.
“É um novo mercado que está começando a consumir mais açaí como superalimento (um produto natural de origem vegetal rico em nutrientes essenciais). E o fato de produzirmos dentro das comunidades locais foi o fator decisivo para que eles firmassem essa parceria conosco”, afirmou o presidente da Amazonbai, Amiraldo Picanço.
“Como cooperativa, sempre buscamos iniciar as vendas em um novo país com um produto ainda pouco conhecido naquele mercado, ajudando na sua introdução e consolidação para que seja um sucesso para todos os envolvidos. Por isso essa venda é tão importante e permitirá um avanço significativo nesse território.”
As negociações com o país árabe começaram em dezembro do ano passado, quando a cooperativa participou da Food Africa 2025, realizada no Cairo, Egito.
“Durante o evento, uma empresa da Argélia obteve nosso contato e levou amostras do nosso produto. Em janeiro, voltamos a nos encontrar na Gulfood 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e fechamos o acordo para o fornecimento de 10 toneladas de açaí em pó”, relembrou o presidente da cooperativa.
A Gulfood é uma das principais feiras internacionais da indústria de alimentos e bebidas.
Embora as negociações já tenham sido concluídas, o início das exportações ainda levará algum tempo devido ao período necessário para a colheita. O que antes levava quatro meses para ficar pronto agora demora mais em razão das mudanças climáticas.
Além de ser produzido por comunidades locais, a certificação internacional do produto é outro diferencial importante para as exportações, segundo Picanço.
“Desde o início, quando fundamos a Amazonbai, nosso sonho era alcançar mercados especializados, e contar com a certificação do Forest Stewardship Council (FSC) nos ajudou a estabelecer contato com muito mais facilidade junto a representantes comerciais de outros países.”
Além de outras certificações, o açaí da cooperativa possui o selo de Indicação Geográfica concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que certifica que o fruto produzido na região do Bailique é cultivado de forma sustentável e natural, sem o uso de agrotóxicos, máquinas ou fertilizantes.
Atualmente exportando para os Estados Unidos e Portugal, a cooperativa espera comercializar seus produtos em outros seis países até o fim deste ano, incluindo Emirados Árabes Unidos, China e Argélia.
“Vamos exportar o açaí em pó para a Argélia e Dubai, enquanto a China receberá a polpa da fruta”, explicou Picanço.
A cooperativa
A Amazonbai foi fundada em 2017 com o objetivo de agregar valor à produção de açaí, ampliar sua visibilidade e melhorar a qualidade de vida das comunidades do Arquipélago do Bailique. Formado em Engenharia Florestal e mestre em Desenvolvimento Regional, Picanço foi um dos fundadores da cooperativa.
“No início, vendíamos as sementes do fruto para os municípios de Macapá e Santana, no Amapá. Depois expandimos para Belém. Começamos comercializando justamente no berço do açaí”, contou.
“Embora tenhamos começado perto de casa, nosso objetivo sempre foi exportar produtos produzidos pelas comunidades locais. Em 2021, realizamos nossa primeira exportação para duas empresas dos Estados Unidos e, dois anos depois, passamos a vender também para Portugal e Bélgica.”
Além do crescimento esperado nas exportações, a expansão da cooperativa demonstra sua estratégia de diferenciação em relação aos concorrentes.
“No início trabalhávamos com 37 famílias. Hoje esse número chegou a 159. Por meio de um planejamento estratégico, oferecemos dois programas de capacitação — um voltado para gestão e outro para produção — e buscamos fortalecer toda a cadeia produtiva para garantir um produto seguro. Também desenvolvemos dois manuais de boas práticas para o manejo do açaí”, concluiu o presidente da cooperativa.
Fonte: ANBA
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