Crescimento de tratores chineses no Brasil altera mercado agrícola

ago, 24, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202635

As máquinas agrícolas chinesas estão ganhando espaço significativo no Brasil, com um aumento notável nas importações no primeiro semestre de 2026. Esse crescimento, conforme analisa Carlos Cogo da Cogo Inteligência em Agronegócio, é parte de uma estratégia que envolve comércio exterior e expansão da distribuição com um olhar para a nacionalização da produção futura.

Somente no primeiro semestre deste ano, o Brasil importou 14.985 tratores, um número que já supera o total do ano anterior. O que se observa é uma adesão impressionante, com as máquinas oriundas da China apresentando um crescimento de 86% em relação ao ano passado, ocupando 67% do total de importações realizadas.

As montadoras chinesas estão se movimentando para estabelecer presença no Brasil, com a YTO planejando uma fábrica em Pernambuco, enquanto Zoomlion e Foton Lovol exploram oportunidades na região Centro-Oeste e Goiás, respectivamente.

Embora ainda não haja fábricas em operação no país, o levantamento indica que as máquinas chinesas oferecem uma vantagem de custos de até 27% comparadas às fabricadas localmente. Além disso, empresas como a YTO estão posicionando preços entre 30% a 40% abaixo do mercado devido a fatores como economia de escala e custos menores de produção na China.

O fenômeno também abrange colheitadeiras, com sete fabricantes chineses já operando no Brasil. Um exemplo notável é a CRCHI, que desenvolve uma cadeia completa para colheita e beneficiamento de algodão em Mato Grosso. Carlos Cogo compara essa evolução no setor agrícola com o que aconteceu na indústria automotiva, sugerindo que o crescimento das marcas chinesas de veículos pode se espelhar na maquinaria agrícola.

No entanto, a presença crescente dos fornecedores chineses no Brasil também traz à tona questões sobre tecnologia, capital e políticas industriais. Esse cenário pode expandir a concorrência em um mercado fundamental para a produção de grãos, fibras e proteínas no país.

Fonte: Boca Notícias

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