Crise em Hormuz paralisa 3.200 navios e dispara fretes a níveis recordes
mar, 03, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202610
Os fretes de VLCC dispararam para níveis teóricos extraordinários na segunda-feira, à medida que a guerra entre o Irã e a coalizão EUA-Israel abalou o transporte marítimo no Golfo Pérsico, com cerca de 3.200 embarcações presas na região. O benchmark TD3C, do Oriente Médio para a China, foi cotado a US$ 423.700 por dia, alta de US$ 205.600 em relação ao dia anterior. Corretores alertaram que não havia confirmações de contratos fechados nesses níveis exorbitantes.
Os seguros seguiram o mesmo caminho. Mais da metade dos maiores clubes de P&I do mundo deixará de oferecer cobertura de risco de guerra para navios que entrarem no Golfo Pérsico a partir de 5 de março, encerrando automaticamente a proteção para embarcações que transitarem por águas adjacentes especificadas — medida que elevará fortemente os custos das viagens e levará armadores a desviarem rotas pelo Cabo da Boa Esperança.
Não se trata de um bloqueio formal — é uma paralisia movida pelo risco
Autoridades iranianas agravaram a crise ao afirmar controle sobre o estreito. A mídia estatal iraniana citou comandantes de alto escalão dizendo que o Estreito de Hormuz está fechado e advertiu que “os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios” caso tentem passar — declaração que elevou o temor do mercado quanto à possibilidade de reter entre 14 e 15 milhões de barris por dia de petróleo no Golfo do Oriente Médio.
Os ataques generalizados na região ocorrem após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmar na noite passada que “os golpes mais duros” contra o Irã “ainda estão por vir”, sem indicar quanto tempo essa campanha militar deve durar.
Ataques iranianos já atingiram navios mercantes e infraestrutura regional. A Clarksons Research informa pelo menos seis embarcações danificadas — incluindo Stena Imperative, Sea La Donna, Hercules Star, Ocean Electra, Skylight e MKD Vyom — além de múltiplos ataques a portos e instalações de energia. Um ataque a porto na segunda-feira, no Bahrein, matou um trabalhador de estaleiro, feriu outros dois e danificou um petroleiro de bandeira dos EUA.
Monitores de mercado alertam que a interrupção é menos um bloqueio formal e mais uma paralisação. “Não se trata de um bloqueio formal — é uma paralisia movida pelo risco”, afirmou a Kpler, observando que o estreito normalmente registra entre 80 e 100 trânsitos por dia e responde por cerca de um quinto do consumo global de petróleo; oleodutos alternativos não têm capacidade para compensar uma interrupção significativa e prolongada.
Os efeitos variam fortemente por setor. Os petroleiros são os mais afetados: a Clarksons apontou ganhos teóricos de VLCC em níveis recordes, enquanto a corretora rival Arrow afirmou ser improvável observar qualquer atividade de VLCC nos próximos dias imediatos.
Os mercados de GNL e GLP também estão desestabilizados. A Clarksons relata que Ras Laffan LNG estava fora de operação, elevando fortemente os preços regionais do gás e provocando aumentos de mais de 20% nas tarifas de curto prazo de navios de GNL. Os fluxos de GLP — cerca de 30% dependentes de Hormuz — enfrentam choques semelhantes de oferta e frete. Os preços do bunker também subiram acompanhando o petróleo.
Os contêineres têm exposição direta limitada em volume — cerca de 2% passam por Hormuz. No entanto, a interrupção para os armadores é relevante: grandes companhias, incluindo a MSC, suspenderam todas as reservas de carga mundial para a região do Oriente Médio até novo aviso. Desvios de rotas para o Cabo e para hubs alternativos devem intensificar a congestão na Europa e na Ásia.
O granel seco é o menos afetado diretamente, mas enfrenta congestionamentos e atrasos secundários.
A Clarksons Research observou que, até a noite passada, 3.200 embarcações permaneciam dentro do Golfo, equivalendo a 4% da tonelagem global, incluindo 112 petroleiros de petróleo bruto e 114 navios porta-contêineres; cerca de 500 embarcações aguardam ao largo das costas dos Emirados Árabes Unidos e de Omã.
Fonte: Splash 247
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