Ethanol production jumps
Açúcar e Ethanol

Definição da IMO sobre pegada de carbono do etanol de milho brasileiro é um marco histórico, dizem produtores

jun, 15, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202625

A decisão da International Maritime Organization (IMO) que definiu a pegada de carbono do etanol de milho brasileiro representa um marco histórico e pode posicionar o transporte marítimo como um importante mercado futuro para o setor, afirmaram executivos da indústria à Reuters.

Em maio, a IMO definiu o valor padrão da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por megajoule, referindo-se especificamente ao biocombustível produzido a partir da safrinha, ou segunda safra de milho do país.

Atualmente, a intensidade média de emissões de gases de efeito estufa dos combustíveis utilizados na navegação marítima é de 93,3 gramas de CO2e por megajoule, segundo a IMO.

O valor estabelecido pela organização para o etanol de milho brasileiro representa um passo importante à medida que a agência desenvolve regulamentações para combustíveis de menor emissão de carbono, afirmou Gustavo Mariano, vice-presidente de trading da Inpasa.

“Foi um marco histórico e simbólico”, disse Mariano em entrevista, acrescentando que a medida consolida a posição do etanol de milho brasileiro e sul-americano como um combustível viável para a descarbonização.

Durante décadas, a indústria brasileira de etanol foi dominada pelos produtores de cana-de-açúcar. No entanto, segundo a UNEM (União Nacional do Etanol de Milho), a produção de etanol de milho saltou para quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26, ante 2,65 bilhões de litros no início da década.

Quando os biocombustíveis forem oficialmente aprovados para uso na navegação marítima, os produtores poderão se beneficiar de possíveis prêmios pagos por combustíveis mais sustentáveis, afirmou Rafael Abud, diretor-presidente da FS Fueling Sustainability

“Investimos pesadamente em todos os aspectos possíveis para descarbonizar nosso produto”, disse Abud, citando esforços para reduzir emissões por meio do uso de biomassa, ganhos de eficiência industrial e um projeto de bioenergia com captura e armazenamento de carbono que poderá tornar o etanol da FS carbono negativo no futuro.

De acordo com os executivos, a escala da indústria global de transporte marítimo significa que o etanol de milho da segunda safra brasileira não competirá com outros biocombustíveis, como o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel, mas atuará de forma complementar.

“Se o mercado global de combustível marítimo fosse convertido em equivalente de etanol, estaríamos falando de quase 400 bilhões de litros”, afirmou Mariano. “São volumes tão grandes que precisamos de todos os biocombustíveis sustentáveis.”

Fonte: Reuters

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