Empresas brasileiras de serviços marítimos se unem em acordo implícito de R$ 2,6 bilhões
mar, 02, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202610
Após uma relação comercial de longa data e anos de conversas, a OceanPact e a CBO chegaram a um acordo para combinar suas operações. A transação reúne a maior prestadora de serviços marítimos para a indústria de óleo e gás do Brasil com a segunda maior do país, posicionando a empresa resultante próxima da norte-americana Bram Offshore, com uma frota combinada de 73 embarcações.
Pela estrutura do negócio, os acionistas da CBO — empresa de capital fechado — ficarão com a maior participação no grupo combinado, embora a OceanPact seja a companhia remanescente e mantenha sua listagem na B3. Os principais acionistas da CBO são Pátria e Vinci, com 37,76% cada, a BNDESPar, com quase 19%, e a italiana Finarge, com 5,6%. Juntos, eles deterão 57,86% da empresa resultante da fusão.
Na OceanPact, o fundador e CEO Flavio Andrade é atualmente o maior acionista, com 30,75%. Dynamo, HIX e Organon também possuem participações relevantes, e o free float é de 33,71%. A OceanPact tem hoje 200 milhões de ações em circulação e, para concluir a fusão, emitirá 275 milhões de novas ações, na proporção de 1,98 ação ordinária para cada ação da CBO. Com a OceanPact avaliada em R$ 1,9 bilhão na bolsa, a avaliação implícita da CBO é de R$ 2,6 bilhões.
“Na nossa festa de fim de ano, o único concorrente já convidado foi a CBO”, disse Andrade, ressaltando a proximidade entre as empresas. “A OceanPact é uma empresa jovem e experiente, com 18 anos de operação. Começamos como uma consultoria, sem embarcações, utilizando nossos equipamentos de resposta a derramamentos de óleo em frotas de terceiros. Quando vimos a oportunidade de afretar navios, passamos a trabalhar com a CBO, que tem 48 anos de operação. Com o tempo, adquirimos ativos deles à medida que modernizavam a frota.”
Especulações de mercado sobre uma possível operação de M&A circulam desde o IPO da OceanPact, em 2021. As conversas ganharam tração em uma conferência em Londres, em fevereiro de 2024. Andrade permanecerá como CEO da OceanPact combinada, assim como o atual CFO, Eduardo de Toledo. O CEO da CBO, Marcos Tinti, assumirá a vice-presidência de navegação.
A fusão ocorre em um momento em que ambas as empresas apresentam resultados fortes, ao contrário de negócios recentes motivados por pressões na estrutura de capital. OceanPact e CBO ampliaram margens, garantiram diárias de afretamento mais altas em renovações contratuais e firmaram novos acordos, alcançando um backlog combinado de R$ 13,6 bilhões.
“As diárias voltaram a níveis saudáveis para a frota existente. Mas, dado o crescimento da demanda, haverá escassez de embarcações”, disse Tinti, citando o plano de negócios da Petrobras como um dos principais vetores. “As duas empresas veem isso. Queremos uma frota maior, mas sem construir novas embarcações agora, porque os preços estão altos”, acrescentou Andrade.
Embora a transação deva gerar sinergias, os executivos enfatizam a complementaridade. A CBO opera uma gama mais ampla de tipos de embarcações, enquanto a OceanPact oferece um portfólio maior de serviços. “Um enorme potencial de criação de valor virá da integração operacional, combinando o melhor de cada uma. A CBO tem menores índices de avarias, e vamos aprender e adotar suas práticas, como oficinas próprias. A OceanPact, por outro lado, tem taxas muito menores de ociosidade da frota, então podemos ajudar a melhorar a utilização das embarcações”, disse Andrade.
Com base nos números dos 12 meses até setembro, as empresas juntas registraram receita de R$ 4,2 bilhões, EBITDA de R$ 1,8 bilhão e lucro líquido de R$ 338 milhões. A alavancagem vem caindo nas duas companhias e, de forma consolidada, ficará em 2,6 vezes. Grande parte da dívida vem da CBO, que tinha alavancagem maior, porém a custos mais baixos e prazos mais longos.
“A maior parte da nossa dívida é composta por debêntures emitidas no mercado, enquanto 70% da dívida da CBO está no Fundo da Marinha Mercante. De forma consolidada, a alavancagem sobe levemente, mas com dívida mais barata e de prazo mais longo”, disse o CFO. As duas empresas reverteram prejuízos do ano anterior, e a base de lucro combinada aumenta o potencial de distribuição de dividendos.
O acordo com a CBO não inclui uma ação judicial de uma subsidiária da OceanPact contra a Petrobras que, segundo analistas do Bradesco BBI, poderia resultar em um pagamento de R$ 400 milhões pela estatal. Se houver ganho de causa, o valor seria distribuído aos acionistas originais da OceanPact e a um fundo de direitos creditórios. O ativo contingente decorre de um processo movido pela UP Offshore contra a Petrobras, herdado pela OceanPact quando adquiriu a UP.
Andrade, Pátria, Vinci e BNDESPar firmarão um acordo de acionistas com duração de cinco anos. O empresário e os fundos de private equity terão cláusulas de unanimidade em determinados temas e um arranjo de co-controle. Esse grupo de acionistas concordou com um período de lock-up de nove meses, após o qual os veículos de private equity terão uma janela de saída.
Fonte: Valor International
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