Empresas redobram esforços para tentar livrar seus navios da armadilha de Ormuz
abr, 27, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202617
Ainda estava escuro quando o Akti A, um petroleiro de menor porte com 300 mil barris de diesel, conseguiu escapar pelo Estreito de Ormuz. Nas primeiras horas de sábado, o navio liderou uma fila de embarcações cujas tripulações estavam desesperadas para deixar o Golfo Pérsico, após o Irã indicar brevemente que a passagem estava “completamente aberta”.
Operado pela dinamarquesa Maersk Tankers e transportando combustível para a trading Vitol, o Akti A estava havia semanas próximo ao Bahrein, totalmente carregado, enquanto outros navios na região eram atingidos por drones e mísseis iranianos.
Os operadores acertaram no timing. Pouco depois da travessia, a Guarda Revolucionária Islâmica enviou lanchas armadas ao canal. Na noite de quarta-feira, o Akti A já navegava em direção ao Cabo da Boa Esperança.
Para as maiores tradings de petróleo e gás do mundo, retirar petroleiros presos no Golfo Pérsico tornou-se um dos maiores desafios da guerra — que já gerou custos elevados com seguros, manutenção e taxas portuárias adicionais.
Em alguns casos, o custo foi ainda maior. Em 12 de março, um tripulante morreu após navios que transportavam nafta para a Vitol, incluindo o *Safesea Vishnu*, serem incendiados por forças iranianas.
Ao longo das oito semanas de conflito, rotas de fuga chegaram a se abrir, mas logo voltaram a se fechar. A travessia do Estreito de Ormuz pode levar até oito horas, tempo suficiente para mudanças no cenário diplomático antes que os navios concluam o percurso.
Na quarta-feira, Teerã atacou três navios porta-contêineres. A Guarda Revolucionária afirmou ter apreendido dois deles e escoltado até águas territoriais iranianas, em aparente retaliação ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos a embarcações ligadas ao Irã.
Se confirmada, seria a primeira apreensão desse tipo desde o início da guerra.
Uma das janelas mais claras ocorreu na sexta-feira anterior, quando o Irã declarou o estreito “completamente aberto” após um cessar-fogo entre Israel e Líbano. Armadores rapidamente direcionaram navios à região, apesar dos alertas de possível presença de minas.
A oportunidade foi breve. Com a manutenção do bloqueio aos portos iranianos pelos EUA, Teerã voltou a afirmar, no sábado, que o estreito permaneceria sob seu controle e que apenas embarcações autorizadas teriam passagem segura.
O CEO da Swiss Marine, Peter Weernink, relatou que ordenou a travessia de um navio na sexta-feira, mas o proprietário chinês só consultou seu governo no sábado — quando a situação já havia mudado. A travessia foi cancelada.
“Eles só vão atravessar quando não houver risco”, afirmou Weernink. “É preciso ter clareza total de que não haverá ataques e confirmação de ambos os lados.”
Navios da CMA CGM também tentaram cruzar o estreito, mas recuaram após um deles ser atingido por um projétil. No comboio liderado pelo Akti A*, embarcações que vinham atrás também desistiram após mensagens de forças iranianas.
O último navio a atravessar com segurança naquela madrugada foi um petroleiro com destino à Socar, estatal do Azerbaijão, cuja carga gerou grande lucro, segundo fontes.
Algumas estratégias passaram a focar parcerias com países próximos ao Irã. Em diversas ocasiões, Teerã demonstrou maior flexibilidade com embarcações ligadas a aliados como China e Paquistão, além de sugerir a possibilidade de cobrança de pedágios via criptomoedas.
Navios de Omã, país com relações próximas ao Irã e presença territorial no estreito, utilizaram rotas próximas à sua costa para atravessar.
No início da guerra, a Trafigura tinha 10 dos 375 petroleiros sob sua gestão presos no Golfo Pérsico. Hoje, são nove, segundo o CEO Richard Holtum, que explicou que se tratam de navios fretados por terceiros.
Um dos navios retirados, o Dhalkut, de bandeira omanense, saiu em 2 de abril em comboio com outras embarcações ligadas a Omã, navegando próximo à costa do país.
A Mercuria, por sua vez, tinha três navios na região no início do conflito — todos já conseguiram sair. Seu CEO, Marco Dunand, evitou detalhar as rotas utilizadas. “Existem várias maneiras, mas não vou contar”, afirmou.
Segundo ele, mais navios têm conseguido atravessar Ormuz do que se imagina. O tráfego inclui também navios de cruzeiro: uma pequena flotilha passou no sábado, incluindo embarcações da MSC Cruises e da Tui.
A Tui afirmou que não realizou pagamentos ao Irã e que a travessia ocorreu com coordenação e autorização das autoridades competentes. Trafigura, Mercuria e Vitol também negaram qualquer pagamento, o que poderia violar sanções dos EUA.
Empresas mais expostas, como a MSC, passaram a operar com sistemas de rastreamento desligados. Seis navios da companhia atravessaram o estreito no fim de semana sem transponders ativos. Ainda assim, duas embarcações ligadas à empresa foram apreendidas posteriormente.
A MSC não comentou os episódios.
O chefe global de frete da Mercuria, Larry Johnson, criticou a falta de coordenação internacional para garantir a passagem segura de navios.
“Não há um esforço coordenado para formalizar um procedimento de travessia por Ormuz”, afirmou.
Segundo ele, os navios que conseguem atravessar tendem a ser ligados a governos, com acesso a apoio militar ou canais diplomáticos diretos.
“Empresas privadas não têm mecanismos eficazes para lidar com essa situação”, concluiu.
Imagem gerada por inteligência artificial
Fonte: Valor Econômico
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