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Estivadores do Porto de Santos fazem paralisação parcial em defesa da exclusividade na contratação no litoral de SP

mar, 26, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202613

Estivadores mobilizados pelo Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão (Sindestiva) realizaram, nesta quarta-feira (25), uma paralisação no Porto de Santos em defesa da exclusividade na contratação de trabalhadores portuários avulsos (TPAs). A categoria se posiciona contra o Projeto de Lei (PL) 733/2025, que propõe a revisão do marco legal do setor portuário e prevê mudanças nas relações trabalhistas.

A paralisação teve duração de 12 horas, com manutenção de 50% da mão de obra em atividade, conforme determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), em ação movida pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), que questionava a legalidade da greve. A decisão foi tomada após audiência de dissídio coletivo realizada na última terça-feira. Não houve acordo entre as partes.

Na decisão, o TRT-2 reconheceu a legalidade da greve, destacando que o direito está garantido pelo artigo 9º da Constituição Federal e que cabe aos trabalhadores definir a oportunidade e os interesses defendidos. O entendimento segue precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que admitem greves motivadas por questões mais amplas, como políticas e legislativas, desde que relacionadas aos interesses da categoria. Apesar disso, o tribunal impôs limites por se tratar de atividade essencial.

A categoria pretendia realizar uma paralisação de 24 horas, mas a mobilização ocorreu apenas das 7h às 19h. A intenção é repetir o movimento nas próximas quartas-feiras até que o deputado federal Arthur Maia (União-BA) apresente o relatório final do PL, previsto para o dia 10 de abril.

Segundo o presidente do Sindestiva, Bruno José dos Santos, trabalhadores se concentraram em frente à Brasil Terminal Portuário (BTP) e ao Armazém 35, em Santos, além da Santos Brasil, no distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Um dos grupos realizou passeata até a Prefeitura de Santos, onde foi recebido pelo secretário de Assuntos Portuários e Emprego, Bruno Orlandi.

Limitações e balanço

O dirigente sindical afirmou que o Tribunal determinou a manutenção parcial das atividades e que o descumprimento pode resultar em multa de até R$ 200 mil, aplicável tanto ao sindicato quanto aos operadores portuários, caso impeçam o acesso de profissionais escalados.

Apesar das limitações, o presidente do Sindestiva avaliou o movimento como fundamental. “É de suma importância a defesa do nosso mercado de trabalho, da exclusividade e dos direitos adquiridos”, declarou. Ele também cobrou posicionamento das autoridades: “Precisamos chamar a atenção dos deputados, especialmente da comissão do PL 733, e do Governo Federal, que ainda não se posicionou sobre o tema”.

Caminhoneiros suspendem paralisação

O Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas a Granel (Sindgran) suspendeu a paralisação de caminhoneiros em Cubatão após reunião com a Autoridade Portuária de Santos (APS).

A categoria protestava contra a exigência de pagamento aos pátios reguladores para acesso às operações portuárias. Segundo o presidente do Sindgran, José Cavalcanti de Andrade, a prática contraria normas da APS, pois não há previsão que imponha essa obrigação aos transportadores.

Reuniões

Em nota, a APS informou que seu diretor de Operações, Beto Mendes, participou da reunião com representantes do sindicato. Ficou acordado que APS e Sindgran irão discutir possíveis alterações na Norma da Autoridade Portuária (NAP), que regula o acesso terrestre de caminhões ao Porto de Santos.

A norma organiza o agendamento da chegada de cargas rodoviárias ao complexo portuário, com o objetivo de evitar longas permanências nos pátios reguladores, o que prejudica os transportadores.

Após esse encontro, representantes jurídicos do Sindgran também estiveram na sede da APS. Uma nova reunião foi agendada para o dia seguinte.

A Autoridade Portuária destacou que o diálogo busca aprimorar a NAP e a relação comercial entre as partes, ressaltando que sua atuação é de mediação, sem interferência direta no processo.

IImagem gerada por Inteligência artificial

Fonte: A Tribuna

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