EUA ajudaram navios comerciais na travessia de Ormuz, diz jornal
jun, 01, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202623
O Comando Central dos EUA (Centcom) coordenou a passagem de 70 navios comerciais pelo Estreito de Ormuz nas últimas três semanas, segundo autoridades americanas ouvidas pelo New York Times. A navegação pela hidrovia, responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás natural, ainda enfrenta riscos em meio ao impasse nas negociações de paz entre Washington e Teerã.
De acordo com as autoridades, a maioria dos navios desligou seus sistemas de rastreamento durante a travessia para evitar ser detectada. As fontes não informaram quais tipos de embarcações realizaram a passagem nem quais rotas foram utilizadas, mas indicaram que uma delas não passava próxima ao litoral iraniano. Segundo autoridades americanas, navios que navegam perto do Irã sem autorização podem ser alvo de ataques com drones e mísseis.
Apesar do apoio dos Estados Unidos, o tráfego marítimo ainda está muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito, iniciado em 28 de fevereiro. Antes da crise, mais de 100 navios comerciais cruzavam diariamente o Estreito de Ormuz. Atualmente, a média é de apenas três embarcações por dia. Analistas do setor afirmam que não conseguem verificar de forma independente os números devido ao desligamento dos sistemas de rastreamento.
As perspectivas de um acordo para reabrir plenamente a hidrovia sofreram novo revés após o presidente Donald Trump endurecer os termos das negociações com o Irã. Na semana anterior, autoridades dos dois países haviam indicado que um acordo preliminar estava próximo e incluía a reabertura do Estreito de Ormuz.
Após encerrar o Projeto Liberdade, lançado em maio para facilitar a travessia de embarcações pela região, os EUA passaram a apenas orientar os navios, sem fornecer escolta naval.
Em comunicado divulgado no sábado, o porta-voz do Centcom, capitão Tim Hawkins, afirmou que as forças americanas continuam coordenando e se comunicando com navios comerciais que buscam transitar de forma livre e segura pelo Estreito de Ormuz, considerado um corredor internacional crítico para a economia global.
As embarcações que utilizam a rota recomendada pelos EUA ainda correm risco de ataques. Um porta-contêineres da francesa CMA CGM foi atingido durante uma travessia realizada no período do Projeto Liberdade. Segundo o Centcom, o navio não seguiu determinadas diretrizes operacionais.
Mesmo diante das dificuldades, dois navios de bandeira americana conseguiram cruzar o estreito durante a operação.
Outra iniciativa lançada pelos EUA em abril para interceptar embarcações que passaram por portos iranianos já levou ao redirecionamento de 116 navios, segundo o Centcom, reduzindo o fluxo de petróleo iraniano para os mercados internacionais.
Apesar da pressão americana, o Irã mantém forte influência sobre Ormuz. Dados da empresa de inteligência marítima Kepler mostram que, das 895 travessias registradas entre 1º de março e 19 de maio, pouco mais da metade utilizou a chamada rota iraniana. Cerca de 40% seguiram por rotas desconhecidas ou realizaram travessias com os sistemas de rastreamento desligados.
Fonte: Valor Econômico
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