EUA buscam sinal político do Brasil para acordo sobre minerais críticos

mar, 18, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202612

O governo Trump aguarda um “sinal político claro” do Brasil para avançar com um acordo bilateral sobre minerais críticos, segundo um porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos. A proposta é estabelecer um marco de cooperação sob medida entre os dois países, incluindo prioridades como a definição de um preço mínimo para esses materiais.

Os minerais críticos — utilizados em tecnologias avançadas em setores como defesa e comunicações — tornaram-se um foco central da competição geopolítica.

Os EUA pretendem construir uma parceria com o Brasil capaz de fortalecer as bases industriais e tecnológicas de ambos os países. De acordo com o porta-voz, Washington tem interesse em cooperar para expandir a capacidade de processamento desses minerais.

Mais de 50 projetos de mineração no Brasil já foram identificados “que podem contribuir para os esforços internacionais de diversificação e fortalecimento das cadeias globais de suprimento de minerais críticos”, afirmou o porta-voz.

Para reforçar sua posição no setor, os Estados Unidos definiram prioridades que incluem discussões sobre um preço mínimo, incentivos para investimentos responsáveis na mineração e no processamento — beneficiando as bases industriais de ambos os países — e a simplificação de processos de licenciamento. Autoridades americanas destacam que o diálogo busca gerar benefícios mútuos.

Brasil possui a segunda maior reserva do mundo

As reservas brasileiras de terras raras — estimadas em 21 milhões de toneladas — estão emergindo como um elemento-chave na geopolítica global. O país possui a segunda maior reserva do mundo, mas ainda apresenta atraso na extração desses elementos.

Diante desse potencial, os Estados Unidos afirmam que o Brasil pode desempenhar um papel central no desenvolvimento das cadeias globais de suprimento de minerais críticos. “A U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e o Export-Import Bank dos Estados Unidos estão oferecendo mais de US$ 600 milhões em financiamento para projetos em andamento no Brasil, e vemos potencial para bilhões de dólares adicionais em investimentos”, disse o porta-voz da embaixada, referindo-se a instituições apoiadas pelo governo americano.

Buscando aprofundar a cooperação, o governo dos EUA realizará um evento nesta semana para discutir oportunidades no setor com o Brasil. O Fórum de Minerais Críticos acontecerá em 18 de março, em São Paulo, e deve reunir mais de 100 empresas e representantes de governos estaduais.

Atualmente, o Brasil ocupa uma posição paradoxal na geopolítica dos minerais da transição energética: possui vastas reservas, mas ainda é um produtor de menor relevância, resultando na subutilização de um grande potencial econômico em termos de renda, industrialização e desenvolvimento tecnológico. Esse descompasso — típico de países que não conseguem transformar vantagem comparativa em vantagem competitiva — representa a principal oportunidade econômica mensurável para as próximas décadas.

Como mostrou o Valor, integrantes do governo brasileiro afirmam que a agenda de minerais críticos segue travada devido à falta de consenso interno sobre o grau de abertura do país à participação estrangeira.

Uma ala dentro do governo Lula defende que impor restrições ao setor neste momento seria contraproducente, dado o enorme potencial brasileiro. Esses integrantes se opõem a acordos que possam criar limitações à produção doméstica. Esse também foi um dos principais motivos para o Brasil ter recusado aderir a uma aliança liderada pelos EUA sobre minerais críticos e terras raras, anunciada no início de fevereiro.

Dada a importância estratégica do tema, os minerais críticos devem integrar a pauta de um encontro bilateral entre Lula e Trump, previsto para março ou abril, embora ainda sem data definida.

Fontes do governo brasileiro argumentam que o país deve se relacionar com múltiplos parceiros, em vez de se alinhar exclusivamente a um único país ou bloco. Ao mesmo tempo, rejeitam a ideia de que o Brasil deva permanecer apenas como fornecedor de matérias-primas.

Fonte: Valor International

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