Açúcar e Ethanol

EUA preservam tarifa do açúcar, mas cortam cota brasileira

jul, 28, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202631

As exportações brasileiras de açúcar destinadas aos Estados Unidos dentro da cota tarifária ficaram de fora da nova sobretaxa de 12,5% anunciada pelo governo norte-americano para diversos produtos importados. A decisão preserva as condições atuais de acesso ao mercado para as usinas contempladas pelo regime de cotas, mas veio acompanhada de uma redução significativa no volume destinado ao Brasil a partir do próximo ano fiscal.

Segundo decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o açúcar embarcado dentro da cota continuará sujeito apenas à tarifa já vigente, de 25%. Já as exportações realizadas além desse limite passarão a pagar tarifa total de 37,5%, resultado da incidência da nova sobretaxa.

O tarifaço implementado pelo governo estadunidense já afeta expressivamente os embarques de açúcar ao país. Segundo dados obtidos pela Datamar, o volume de açúcar exportado pelo Brasil  aos EUA caiu 53,2% entre janeiro a maio de 2026, comparado com o mesmo período do ano anterior. Confira a seguir a flutuação mensal dos volumes registrados:

Exportação de Açúcar aos EUA | Jan 2023 – Mai 2026 | WTMT

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

A principal mudança, porém, está na redução da participação brasileira na cota tarifária. O volume reservado ao país cairá de 156 mil para 100 mil toneladas no ano fiscal de 2027, que começa em outubro deste ano. Atualmente, essa cota é destinada exclusivamente às usinas das regiões Norte e Nordeste, conforme estabelece a Lei nº 9.362/1996, que garante a essas regiões o acesso aos chamados mercados preferenciais para derivados de cana-de-açúcar.

Para Renato Cunha, presidente-executivo da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), a redução amplia a instabilidade nas relações comerciais entre os dois países. “Esta redução pode ser duradoura ou momentânea, o volume pode voltar para o Brasil ou ainda ser distribuído entre os outros 38 países contemplados no regime de cotas. É uma medida que alimenta o vaivém de imprevisibilidade, que ao final do dia provoca toda sorte de desarranjos no segmento da cana. Vamos acompanhar os desdobramentos.”

A entidade também demonstra preocupação com as negociações envolvendo o etanol. Segundo Cunha, enquanto o açúcar brasileiro permanece submetido a cotas de exportação para acessar o mercado norte-americano, os Estados Unidos defendem maior abertura para vender etanol ao Brasil. “Os EUA têm excesso de etanol (…) e almejam mudar este quadro querendo vender o biocombustível para o Brasil, que não tem necessidade alguma de importar.”

Na avaliação do dirigente, o cenário evidencia uma relação comercial assimétrica. “A grande verdade é que nossas exportações de açúcar permanecem sujeitas a cotas, e os EUA ainda querem exportar etanol para nós com isenção. Isso acaba não sendo uma negociação, mas sim imposição.” A decisão do USTR, portanto, reduz o impacto imediato da nova sobretaxa sobre o açúcar brasileiro, mas mantém um ambiente de incerteza para o planejamento das exportações e para as negociações comerciais entre os dois países

Fonte: AgroRevenda

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