Exportações argentinas de carne equina crescem 42% em valor no primeiro semestre
jul, 31, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202631
A Argentina manteve-se como a segunda maior exportadora mundial de carne equina, atrás apenas da Mongólia, e ampliou tanto o volume embarcado quanto a receita obtida no primeiro semestre de 2026, apesar da retração de longo prazo do comércio global do produto.
Entre janeiro e junho, o país exportou 7.070 toneladas de carne equina, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025. A receita cresceu em ritmo ainda mais forte, com avanço anual de 42%, para US$ 29,6 milhões em valores FOB, segundo dados da Secretaria de Agricultura da Argentina elaborados com base em números do Indec.
Nos dados de comércio exterior da Datamar, as exportações de carne equina da Argentina totalizaram 370 TEUs no recorte entre janeiro a maio de 2026. Compara a seguir os embarques registrados mensalmente nos últimos anos:
Exportação de Carne Equina – Argentina | Jan-Mai | 2022-2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
O resultado reforça a importância de um segmento pequeno, mas já consolidado na pauta exportadora argentina. Embora o consumo doméstico de carne equina seja pouco difundido, o país abastece mercados internacionais há décadas, sobretudo na Europa.
Dados citados no relatório oficial mostram que o comércio mundial de carne equina vem diminuindo de forma contínua nas últimas duas décadas. O volume caiu de 157.238 toneladas em 2006 para 93.689 toneladas em 2025, recuo de aproximadamente 40%. O menor nível da série foi registrado em 2022, quando as transações globais somaram cerca de 73.900 toneladas.
As exportações argentinas acompanharam essa tendência de queda no longo prazo, passando de 35.097 toneladas em 2006 para 11.542 toneladas em 2025. Ainda assim, o país permaneceu entre os principais fornecedores do mercado internacional.
Em 2025, a Mongólia liderou as exportações mundiais, com 34.021 toneladas. A Argentina ficou em segundo lugar, seguida pela Bélgica, com 8.643 toneladas; Polônia, com 8.620 toneladas; Uruguai, com 5.935 toneladas; e Espanha, com 5.726 toneladas.
Embarques crescem em volume e receita
As exportações argentinas de carne equina melhoraram no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Os embarques passaram de 6.418 toneladas entre janeiro e junho de 2025 para 7.070 toneladas neste ano.
O crescimento foi impulsionado pelos resultados de janeiro, quando as vendas externas avançaram 34%; março, com alta de 22%; abril, com 12%; e maio, com 19%. Junho foi o único mês a registrar queda, de 2% na comparação anual, para 1.161 toneladas.
Em valor, as exportações alcançaram US$ 29,6 milhões FOB no primeiro semestre, ante US$ 20,9 milhões um ano antes. Somente em junho, as vendas externas somaram US$ 5,08 milhões, crescimento de 28% sobre o mesmo mês de 2025.
Segundo o levantamento, o preço médio de exportação no primeiro semestre de 2026 foi de US$ 3.450 por tonelada.
Bélgica segue como principal destino
A Bélgica permaneceu como o maior mercado para a carne equina argentina. Entre janeiro e junho, o país respondeu por 47% do volume exportado e por 48% da receita FOB, com compras de US$ 14,1 milhões.
A Holanda apareceu em segundo lugar, com 16% do volume e US$ 3,97 milhões em importações. O Japão veio em seguida, com participação de 4% nos embarques e compras de US$ 1,4 milhão.
Juntos, Bélgica, Holanda e Japão concentraram cerca de 67% do volume e 66% da receita das exportações argentinas de carne equina no primeiro semestre.
A produção destinada ao mercado externo está concentrada em três frigoríficos autorizados: Frigorífico Lamar, Infriba SA e Land L S.A.
Um negócio de caráter residual
Ernesto “Tito” Lowenstein, executivo com longa trajetória na indústria argentina de processamento de carne equina, disse ao jornal La Nación que a demanda internacional ganhou força nos últimos anos, em meio ao aumento do consumo de proteína animal e à alta dos preços da carne bovina.
Segundo ele, a viabilidade do negócio depende do acesso a diferentes mercados. A Europa compra principalmente cortes do traseiro, enquanto países como Japão e Rússia absorvem outros produtos, permitindo um melhor aproveitamento comercial da carcaça.
Lowenstein definiu a produção de carne equina como uma atividade “residual” e ressaltou que, na Argentina, os cavalos não são criados especificamente para o abate. A maioria dos animais vem de propriedades rurais depois de encerrar sua vida de trabalho ou sua utilização em outras atividades.
A Argentina exporta carne equina desde a década de 1940. Nos anos 1970, o setor chegou a contar com cerca de 20 a 21 frigoríficos, mas esse número diminuiu à medida que o trabalho no campo se tornou mais mecanizado e o uso de cavalos foi reduzido.
Rastreabilidade é essencial para acesso à União Europeia
A entrada no mercado europeu depende do cumprimento de exigências rigorosas de rastreabilidade e segurança dos alimentos. Lowenstein afirmou que o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina, o Senasa, vem trabalhando para atender aos padrões da União Europeia e adaptar seus procedimentos de controle às regras do bloco.
Uma das principais exigências é a proibição da exportação para a Europa de carne proveniente de cavalos tratados com fenilbutazona, anti-inflamatório usado com frequência em animais destinados a atividades esportivas.
Para atender à norma, o Senasa implantou a identificação individual dos animais por meio de microchips, além de receitas veterinárias eletrônicas e registros de tratamentos. O objetivo é garantir a rastreabilidade dos cavalos destinados ao abate e preservar o acesso aos mercados externos.
Lowenstein afirmou ainda que, desde 2016, a indústria vem adotando programas para aperfeiçoar a rastreabilidade, a segurança dos alimentos e o bem-estar animal, além de investir em infraestrutura, tecnologia e capacitação.
Para exportadores, armadores e operadores logísticos, a carne equina representa um fluxo pequeno, porém especializado, de proteína animal, concentrado em mercados exigentes e dependente de certificações, logística de cadeia fria e cumprimento de normas sanitárias. A recuperação observada no primeiro semestre mostra que, mesmo diante da retração do comércio mundial, a Argentina continua ocupando uma posição relevante entre os principais fornecedores globais.
Fonte: adaptado de La Nación
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