Economia

Exportações brasileiras à Argentina caem 18% com perda de fôlego do setor automotivo

jul, 31, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202631

As exportações do Brasil para a Argentina recuaram 18,1% em junho, num sinal de desaceleração do comércio bilateral em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, divulgados pela Exame, mostram que os embarques brasileiros ao mercado argentino somaram US$ 1,33 bilhão no mês, ante US$ 1,6 bilhão em junho de 2025.

A participação da Argentina nas exportações totais do Brasil também diminuiu, passando de 5,6% em junho do ano passado para 3,7% no mesmo mês de 2026.

Apesar da queda, o país vizinho continua sendo o principal parceiro comercial do Brasil no Mercosul e o terceiro maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas de China e Estados Unidos.

A perda de ritmo ocorre enquanto a Argentina prossegue com o ajuste econômico conduzido pelo presidente Javier Milei e as divergências políticas entre o governo argentino e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornam mais evidentes.

Até o momento, não há restrições oficiais que afetem o comércio entre os dois países. Ainda assim, o enfraquecimento das exportações aumenta a preocupação das empresas que integram as cadeias produtivas e logísticas entre Brasil e Argentina, especialmente nos setores industrial e automotivo.

No mercado de cargas conteinerizadas, a Argentina viu suas exportações ao Brasil crescerem 46,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior (jan-mai). As importação vindas do vizinho falante de português diminuíram 17%. Compare os volumes registrados mensalmente a seguir:

Exportação x Importação com Brasil | DataLiner Argentina | Jan 2023 Mai 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Setor automotivo segue no centro do comércio bilateral

A indústria automotiva continua sendo um dos principais pilares das relações comerciais entre Brasil e Argentina. Em junho, as exportações brasileiras de automóveis de passeio ao país vizinho somaram US$ 223 milhões, o equivalente a 16,9% de todos os embarques no período.

O Brasil também exportou US$ 105 milhões em peças e acessórios para veículos, ou 7,9% do total; US$ 57 milhões em veículos para transporte de cargas, o equivalente a 4,3%; US$ 38 milhões em outros veículos rodoviários, ou 2,9%; e US$ 34 milhões em máquinas e equipamentos elétricos, que responderam por 2,6%.

Os números reforçam a importância da Argentina para as exportações industriais brasileiras. Veículos, componentes e máquinas ocupam posição central no modelo produtivo integrado que conecta fábricas, fornecedores e operadores logísticos dos dois lados da fronteira.

Importações de produtos argentinos aumentam

Enquanto as exportações brasileiras à Argentina recuaram, as importações provenientes do país vizinho cresceram 3,8% no período, impulsionadas principalmente pelas compras de veículos comerciais, automóveis de passeio, trigo, petróleo bruto e polímeros de etileno.

O movimento revela um desempenho desigual do comércio bilateral: o Brasil passou a vender menos para a Argentina, ao mesmo tempo que ampliou as compras de alguns dos principais produtos argentinos.

Para as empresas de comércio exterior e logística, os dados são relevantes porque as trocas entre os dois países dependem fortemente da previsibilidade das cadeias rodoviárias, marítimas e industriais. Uma eventual deterioração adicional da confiança empresarial ou da coordenação diplomática poderia afetar os fluxos de carga, as decisões de investimento e o planejamento da produção regional.

Por enquanto, os efeitos são comerciais, e não regulatórios. Ainda assim, os números de junho mostram que as exportações brasileiras à Argentina vêm perdendo força em uma relação que continua sendo fundamental para a indústria do Mercosul, o comércio automotivo e a logística regional.

Fonte: ANSA Latina

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