Exportações da Argentina para a China crescem 59% no primeiro semestre de 2026

ago, 07, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202632

As exportações da Argentina para a China cresceram significativamente no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pelo aumento das vendas de soja, carbonato de lítio e carne bovina para o mercado asiático.

Segundo o Observatório China do Instituto de Estratégia Internacional da Câmara de Exportadores da República Argentina (CERA), as exportações argentinas para a China alcançaram US$ 4,89 bilhões entre janeiro e junho, uma alta de 59,1% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações provenientes da China totalizaram US$ 7,98 bilhões no primeiro semestre, recuo de 3,8% na comparação anual. Como resultado, a Argentina acumulou um déficit comercial de US$ 3,09 bilhões com a China no período.

Os dados mensais mostraram uma breve melhora em maio, quando a Argentina registrou superávit comercial de US$ 357 milhões com a China, após as exportações atingirem US$ 1,51 bilhão. Em junho, porém, o saldo voltou a favorecer a China, que obteve superávit mensal de US$ 558 milhões.

A Argentina exportou US$ 943 milhões para a China em junho, 8,1% a mais do que no mesmo mês do ano passado, enquanto as importações chinesas cresceram 16,3%, para US$ 1,50 bilhão.

Os números consolidaram a China como o segundo maior parceiro comercial da Argentina. O país asiático também foi o segundo principal destino das exportações argentinas, respondendo por 9,9% dos embarques, e a principal origem das importações, com participação de 22,5%.

Soja, lítio e carne bovina lideram as exportações

A pauta de exportações argentinas para a China em junho permaneceu concentrada em produtos primários e minerais.

A soja, excluindo sementes para plantio, respondeu por 32,2% dos embarques para a China. O carbonato de lítio representou 16,5% das exportações, enquanto a carne bovina desossada congelada teve participação de 14,4%.

O sorgo em grão respondeu por 6,1% das exportações, enquanto cereais e cevada representaram 4,2% e 2,8%, respectivamente.

A composição da pauta exportadora mostra a importância das commodities agrícolas, da proteína animal e do lítio na relação comercial entre a Argentina e a China.

Dentre as cargas movimentadas em contêineres, a carne bovina foi a principal remessa à China. Confira a seguir os volumes mensais, segundo dados da Datamar:

Exportação de Carne Bovina para a China | Argentina | 1S2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Do lado das importações, as compras argentinas provenientes da China em junho foram lideradas por produtos industriais e tecnológicos. Máquinas, equipamentos e materiais elétricos responderam por 23,5% das importações, seguidos por reatores nucleares, caldeiras e máquinas mecânicas, com 18,6%.

Veículos automotores, tratores e autopeças representaram 14,6% das importações provenientes da China, enquanto os produtos químicos orgânicos responderam por 9,7%.

Tarifas e investimentos moldam as perspectivas

A CERA também analisou o contexto mais amplo do comércio internacional envolvendo a China. O relatório mencionou novas medidas tarifárias dos Estados Unidos, adotadas com base na Seção 301, que afetam 60 economias, incluindo China e Brasil, após o término das medidas previstas na Seção 122.

A iniciativa norte-americana acrescenta mais uma camada de incerteza aos fluxos do comércio mundial e pode influenciar as estratégias comerciais nas cadeias de suprimentos agrícolas, industriais e minerais.

Nas relações entre Argentina e China, autoridades nacionais estariam trabalhando para agendar uma missão oficial a Pequim, com a participação da secretária-geral da Presidência, Karina Milei, do ministro da Economia, Luis Caputo, e do ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno. O objetivo seria avançar em acordos comerciais.

Os investimentos em lítio também estão se tornando parte central da agenda bilateral. A Argentina aprovou recentemente o projeto de lítio Tres Quebradas, em Catamarca, no âmbito do Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI). O projeto é operado pela Liex S.A., subsidiária da chinesa Zijin Mining, e prevê investimentos de US$ 709 milhões, com exportações anuais estimadas em aproximadamente US$ 400 milhões.

Para exportadores, operadores portuários e empresas de logística, o crescimento das exportações argentinas para a China reforça a importância do mercado asiático na estratégia comercial do país. Soja, carne bovina e lítio permanecem como os principais motores das vendas, enquanto as importações chinesas continuam abastecendo o mercado argentino com máquinas, tecnologia, veículos e insumos industriais.

Fonte: DataPortuaria

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