Exportações de frango crescem 31% e custos competitivos sustentam avicultura brasileira
ago, 19, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202634
A avicultura brasileira manteve perspectivas favoráveis em julho de 2026, apoiada pelo avanço das exportações e pelos custos ainda competitivos da alimentação animal. No mercado interno, porém, o crescimento da oferta pressionou os preços do frango e limitou a recuperação das margens.
A avaliação consta no Agro Mensal de agosto, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Segundo a instituição, o setor deverá permanecer relativamente equilibrado no curto prazo, embora enfrente desafios relacionados à disponibilidade elevada de carne no mercado doméstico, às possíveis restrições comerciais da União Europeia e aos efeitos do El Niño sobre a produção de grãos.
Exportações de carne de frango atingem 505 mil toneladas
Em contraste com a menor rentabilidade no mercado doméstico, as exportações brasileiras de carne de frango mantiveram desempenho robusto. Os embarques totais chegaram a 505 mil toneladas em julho, crescimento de 31% frente ao mesmo período de 2025.
O Itaú BBA observa que parte desse avanço está relacionada à base de comparação mais baixa, afetada pelo episódio de gripe aviária registrado no Rio Grande do Sul no ano passado. Ainda assim, os dados mostram uma recuperação consistente das vendas externas.
Entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras cresceram 15,9% em relação aos primeiros sete meses de 2025. A demanda internacional tem absorvido parcela importante do aumento da produção, contribuindo para equilibrar a oferta disponível no País.
Oriente Médio retoma compras de frango brasileiro
As vendas ao Oriente Médio apresentaram recuperação gradual após os impactos provocados pelas tensões no Estreito de Ormuz, especialmente entre março e abril.
Embora os embarques destinados à região ainda acumulem queda de 4% no ano, a retomada das compras contribuiu para fortalecer o comércio exterior do setor. Ao mesmo tempo, o crescimento das vendas para Ásia, África e União Europeia compensou a retração registrada no mercado do Oriente Médio.
Mesmo com a redução de 1,8% no preço médio da carne de frango in natura exportada em julho, o controle dos custos garantiu um spread de 46% nas operações externas. O resultado superou a média de 43% registrada nos últimos cinco anos.
Situação sanitária fortalece competitividade brasileira
O relatório destaca que o controle da situação sanitária no Brasil, combinado à disseminação da gripe aviária em diferentes países, continua favorecendo as exportações nacionais.
Nesse ambiente, o Brasil preserva sua condição de fornecedor competitivo e com capacidade para atender mercados que enfrentam restrições de oferta. O ciclo produtivo mais curto da avicultura também permite ajustes relativamente rápidos na produção e facilita o redirecionamento dos embarques entre diferentes destinos.
Possíveis restrições da União Europeia entram no radar
Apesar do cenário positivo para as exportações, a avicultura acompanha a possibilidade de fechamento do mercado europeu ao produto brasileiro a partir de setembro, conforme destacado pelo Itaú BBA.
A União Europeia respondeu por aproximadamente 4,5% das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Em 2026, as compras do bloco aumentaram 77%, com forte crescimento no período mais recente, possivelmente relacionado à antecipação de aquisições diante das restrições esperadas.
Segundo dados de comércio exterior obtidos pela Datamar, o Brasil exportou 7.131 TEUs de carne de frango aos 27 países da União Europeia no primeiro semestre de 2026, quase 50% a mais do que no mesmo período do ano anterior. Confira a seguir os números detalhes mês-a-mês:
Exportação de Carne de Frango à UE | 1º semestre 2022-2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Caso o mercado europeu seja limitado, parte dos embarques poderá ser direcionada a outros países. O Itaú BBA avalia que a agilidade do ciclo produtivo avícola tende a reduzir parte dos impactos, embora o redirecionamento possa elevar a disponibilidade interna e ampliar a pressão sobre os preços.
Milho barato contém custos, mas El Niño preocupa
A ampla oferta de milho deverá continuar favorecendo os custos da avicultura brasileira nos próximos meses. Como o cereal representa um dos principais componentes da ração, sua disponibilidade é fundamental para a rentabilidade da produção de frangos.
O principal risco está associado à influência do El Niño sobre a safra brasileira de grãos 2026/27. Eventuais perdas na produção de milho podem modificar o cenário de custos das proteínas animais ao longo de 2027.
Diante dessa possibilidade, o Itaú BBA recomenda atenção ao comportamento climático e à adoção de estratégias de gestão de riscos para a compra de insumos.
Perspectivas seguem positivas para a avicultura
As exportações aquecidas e os custos competitivos deverão manter a avicultura brasileira relativamente equilibrada no curto prazo. No entanto, a elevada oferta doméstica limita a valorização do frango e exige atenção redobrada à evolução da demanda interna.
O desempenho do setor dependerá da capacidade de ampliar e diversificar os destinos das exportações, ajustar a produção diante de possíveis restrições comerciais e proteger os custos de alimentação contra eventuais impactos climáticos sobre as próximas safras de milho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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