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Exportações de petróleo da Argentina se aproximam do complexo da soja com o crescimento de Vaca Muerta

ago, 31, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202637

O perfil de exportação da Argentina está caminhando para uma mudança histórica, com o complexo petroquímico e de petróleo a caminho de ultrapassar a soja como a principal fonte de receitas de exportação do país antes do final de 2026.

De acordo com os dados mais recentes do INDEC citados pela AAACI, as exportações do complexo da soja atingiram US$ 9,08 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma alta de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Os produtos de soja representaram 18,3% das exportações totais da Argentina.

Enquanto isso, o complexo petroquímico e de petróleo exportou US$ 8,12 bilhões e elevou sua participação nas vendas externas da Argentina para 16,4%. Isso reduziu a diferença entre os dois pilares de exportação para US$ 966 milhões. Com o crescimento de 43,7% do complexo petroquímico-petróleo, o setor de energia está agora ao alcance da liderança no ranking de exportações da Argentina.

O aumento foi impulsionado principalmente pelo petróleo bruto. As exportações de óleo bruto atingiram US$ 4,70 bilhões no primeiro semestre, um aumento de 48% em termos anuais. Embora os preços mais altos relacionados ao Oriente Médio tenham contribuído para o resultado, com uma alta de 18,2% nos preços, o principal motor foi o volume. As quantidades exportadas aumentaram 24,9%, sustentadas pela crescente produção de shale oil (petróleo de xisto).

Vaca Muerta está no centro dessa mudança. A maior produção da formação de xisto de Neuquén está gerando excedentes exportáveis cada vez maiores e transformando gradualmente o setor energético da Argentina em uma fonte estrutural de moeda estrangeira.

O complexo da soja continuou a crescer, mas em um ritmo mais lento. O farelo e os pellets de soja subiram 0,7%, o grão de soja aumentou 7,9% e o óleo de soja avançou 8,2%. O complexo foi limitado por uma queda de 2,3% nos volumes embarcados de subprodutos da soja.

A comparação de longo prazo mostra a escala dessa transição. Entre o primeiro semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2026, as exportações do complexo de soja cresceram 16,8%, enquanto as do complexo petroquímico-petróleo dobraram, registrando uma alta de 100,2%.

A sazonalidade também favorece a energia na disputa pelo primeiro lugar. A receita das exportações de soja concentra-se historicamente no primeiro semestre do ano, o que significa que o complexo pode perder espaço relativo à medida que 2026 avança.

Mesmo assim, o setor do agronegócio em geral continua sendo muito maior do que o de petróleo e petroquímica. Quando somados soja, milho, trigo, carne e girassol, eles geraram US$ 20,63 bilhões em exportações durante o primeiro semestre, cerca de 150% a mais do que o complexo petroquímico-petróleo.

Nos primeiros seis meses do ano, as cargas contêinerizadas da Argentina foram enviadas principalmente para China, EUA e Brasil, destinos tradicionais das exportações do país. Confira a seguir as principais cargas exportadas em contêineres do país:

Principais cargas em contêineres – Argentina | 1H2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Outros geradores de exportação

Atrás da soja e do petróleo-petroquímica, o complexo do milho ficou em terceiro lugar, com US$ 4,24 bilhões em exportações, um aumento de 6,9%. O setor automotivo veio em seguida, com US$ 4,17 bilhões, uma alta de 4,7%.

Ouro e prata completaram o top 5, com US$ 3,50 bilhões em exportações e um salto de 56,8%, impulsionados pelos preços mais fortes dos metais no mercado global.

Outros grandes complexos exportadores incluíram carne, com US$ 2,69 bilhões; trigo, com US$ 2,54 bilhões; girassol, com US$ 2,08 bilhões; pesca, com US$ 1,25 bilhão; e lítio, com US$ 1,13 bilhão.

As taxas de crescimento mais expressivas vieram do lítio, com alta de 186%; girassol, com 128%; alumínio, com 92%; e ouro e prata, com 56%. Complexos exportadores menores também registraram fortes ganhos, incluindo outros minerais metalíferos, feijão e chumbo.

As quedas foram mais limitadas entre os principais complexos. O amendoim recuou 2,1%, enquanto peras e maçãs caíram 1,5%, o açúcar diminuiu 10,5% e o arroz recuou 21,1%.

Para exportadores, companhias de navegação, operadores de terminais e provedores de logística, essa mudança é importante porque sinaliza uma alteração no mix de carga. As exportações de petróleo da Argentina exigem capacidade de dutos, armazenamento, infraestrutura de carregamento de navios-tanque e acesso portuário, enquanto as exportações do agronegócio dependem fortemente de terminais de grãos, indústrias de esmagamento, transporte terrestre e fluxos sazonais.

Se o complexo petroquímico-petróleo ultrapassar a soja, a mudança representará mais do que um marco estatístico. Confirmará que Vaca Muerta está redesenhando o comércio exterior da Argentina, reduzindo a dominância relativa do setor agrícola e transformando a logística de energia em um pilar central da estratégia de exportação do país.

Fonte: Forbes Argentina

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