Exportações minerais da Argentina devem superar US$ 41 bilhões até 2035
ago, 17, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202634
As exportações minerais da Argentina podem crescer mais de seis vezes na próxima década, à medida que projetos de lítio e cobre atraem maior interesse internacional, inclusive dos Estados Unidos.
Fernando Ciacera, diretor de Promoção e Economia Mineral da Secretaria de Mineração da Argentina, afirmou, durante um evento recente promovido pela Câmara de Comércio Argentina-Texas, que o país poderá elevar suas exportações minerais de US$ 6 bilhões, em 2025, para US$ 9,8 bilhões em 2026, US$ 18,5 bilhões em 2030 e US$ 41,7 bilhões até 2035.
A apresentação, que também contou com a participação do Atlantic Council, ocorreu em um momento no qual Washington busca diversificar as cadeias de suprimento de minerais críticos e reduzir sua exposição à China. Argentina e Estados Unidos assinaram, no início deste ano, um acordo sobre minerais críticos destinado a construir cadeias de suprimento mais confiáveis e orientadas pelo mercado para minerais estratégicos.
Chancelaria da Argentina
A Argentina já está entre os principais participantes do mercado mundial de lítio. Segundo Ciacera, o país ocupa a quinta posição global em reservas de lítio, com 23 milhões de toneladas de equivalente de carbonato de lítio (LCE). No entanto, a Argentina ocupa o primeiro lugar em recursos de lítio, com mais de 165 milhões de toneladas de LCE. Isso significa que novos investimentos poderão, futuramente, levar o país a posições mais elevadas no ranking mundial de reservas.
Atualmente, a Argentina possui sete projetos de lítio em operação e quatro em construção. Outros 44 projetos encontram-se em diferentes etapas de desenvolvimento, desde a exploração inicial e avançada até avaliações econômicas preliminares e estudos de viabilidade.
As exportações de lítio já estão acelerando. No primeiro semestre de 2026, os volumes medidos em LCE cresceram 68,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Somada à recuperação dos preços internacionais, essa expansão elevou o valor exportado para aproximadamente US$ 1,096 bilhão em seis meses, alta de 185% na comparação com o primeiro semestre de 2025.
O conjunto mais amplo de projetos minerais também está avançando. A Argentina possui 327 projetos identificados e 28 minas em operação, lideradas por ouro, prata, lítio e cobre, além de apresentar potencial para a produção de chumbo, urânio e molibdênio.
Projetos de cobre podem transformar as exportações
O cobre deverá se tornar um dos principais pilares das exportações minerais argentinas na próxima década.
Ciacera apresentou um cronograma de sete projetos de cobre com início de operação previsto a partir de 2027. A mina de Alumbrera deverá retomar as atividades em 2027, seguida por San Jorge, em Mendoza, e Los Azules, em San Juan, em 2028. Taca Taca, em Salta, e Vicuña, em San Juan, estão previstos para 2030. Na sequência aparecem Mara, em Catamarca, em 2031; Altar, em San Juan, em 2032; e Pachón, também em San Juan, em 2034.
Com base nas estimativas atuais de 20 milhões de toneladas de reservas de cobre e 118 milhões de toneladas de recursos, a Secretaria de Mineração da Argentina projeta que o país poderá produzir 1,6 milhão de toneladas de cobre por ano até 2035. Esse volume colocaria a Argentina como a sexta maior produtora mundial do metal e poderia gerar mais de US$ 19 bilhões anuais em exportações de cobre.
Segundo a apresentação, somente a expansão do setor de cobre exigiria aproximadamente US$ 42 bilhões em investimentos.
Interesse dos EUA por minerais críticos aumenta
O evento também destacou o crescente interesse dos Estados Unidos pelo setor mineral argentino.
Gabriela Aguilar, diretora-executiva da Câmara de Comércio Argentina-Texas, afirmou que a Argentina está no centro da transição energética mundial e ocupa uma posição estratégica em sua relação com os Estados Unidos devido ao alinhamento político e à localização geográfica.
Andrea Clabough, especialista em mineração do Centro Global de Energia do Atlantic Council, afirmou que a demanda por eletricidade deverá aumentar acentuadamente nos próximos anos e descreveu a Argentina como um fornecedor fundamental. Segundo ela, a diversificação das fontes de energia e do suprimento de minerais está se tornando uma questão central para os mercados mundiais.
Os participantes também mencionaram novos instrumentos de financiamento, como a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos e o Project Vault, uma iniciativa norte-americana associada às cadeias de suprimento de minerais críticos. O debate refletiu a preocupação mais ampla de Washington com a influência chinesa nas cadeias de fornecimento de minerais da América Latina.
Para a Argentina, a questão estratégica é saber se o desenvolvimento da mineração poderá se tornar algo além de uma relação meramente extrativista. José de Castro Alem, CEO da empresa de desenvolvimento de mercados Alchemia, propôs a criação de um “corredor de inovação” entre o Texas e o noroeste argentino. Segundo ele, o objetivo deve ser construir uma relação industrial que vá além da própria mineração.
Infraestrutura continua sendo um gargalo
A previsão de crescimento apresenta implicações diretas para a logística, os portos e o transporte terrestre.
Ciacera afirmou que a insuficiência da infraestrutura e a disponibilidade limitada de mão de obra especializada permanecem entre os principais obstáculos do setor. Ele apontou as concessões para a construção de rodovias, a licitação prevista para a ferrovia de cargas Belgrano Cargas e a possível adoção de uma estrutura do RIGI voltada à infraestrutura como instrumentos importantes para sustentar o crescimento da mineração.
O Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI) ocupa uma posição central na estratégia mineral da Argentina. O programa reduz a alíquota do Imposto de Renda das empresas de 35% para 25%, diminui os impostos retidos sobre remessas de lucros após sete anos e concede 30 anos de estabilidade fiscal aos projetos aprovados.
Para mineradoras, exportadores e operadores logísticos, a capacidade de transportar lítio, cobre e outros minerais das províncias do interior até os portos será decisiva. Muitos dos projetos argentinos de maior potencial estão localizados no noroeste e na Cordilheira dos Andes, distantes dos pontos de exportação e dependentes de infraestrutura confiável de rodovias, ferrovias, energia e portos.
À medida que busca se posicionar como fornecedora de minerais críticos, o sucesso da Argentina dependerá não apenas das reservas e dos preços, mas também do financiamento, da estabilidade regulatória, da execução dos projetos e da capacidade logística.
Caso o conjunto de projetos avance conforme o previsto, as exportações minerais poderão se tornar uma das principais fontes de divisas da Argentina até 2035, ao lado do agronegócio e do setor energético.
Fonte: Infobae
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