Peixe

Exportações uruguaias de corvina atingem maior nível em uma década, mas desafios operacionais persistem

ago, 06, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202632

As exportações uruguaias de corvina alcançaram, em 2026, o maior nível para o período de janeiro a julho dos últimos dez anos. As vendas superaram US$ 30 milhões e os embarques ultrapassaram 16,7 milhões de quilos, segundo dados da Direção Nacional de Aduanas e da Câmara das Indústrias Pesqueiras do Uruguai (CIPU).

Os números representam um crescimento de quase 80% em valor e de 63% em volume em comparação com a média dos últimos dez anos. Para a indústria pesqueira, o resultado demonstra o potencial de crescimento do setor quando as frotas conseguem operar com maior continuidade e menos restrições.

Ainda assim, a CIPU alertou que o forte desempenho de uma única espécie não resolve os desafios operacionais mais amplos enfrentados pela indústria pesqueira uruguaia.

“Esses resultados mostram o quanto a pesca pode contribuir quando dispõe de condições para trabalhar. O Uruguai tem recursos, empresas, trabalhadores e mercados para gerar mais empregos, produção e exportações. O desafio é construir a continuidade necessária para sustentar esse crescimento”, afirmou o presidente da CIPU, Juan Riva Zucchelli.

Maior atividade beneficia toda a cadeia

Segundo a CIPU, o aumento das exportações de corvina em comparação com a média histórica equivale a aproximadamente 6,5 mil toneladas adicionais do produto.

Para uma unidade com capacidade diária de processamento de 50 toneladas e cerca de 100 trabalhadores, esse volume adicional representaria aproximadamente 130 dias extras de atividade e quase 13 mil jornadas de trabalho.

A entidade informou que o aumento da produção também gera demanda por tripulações, operações de descarga, logística, transporte rodoviário, embalagens, combustíveis, energia e outros serviços ligados à indústria pesqueira.

Pesca em alto-mar continua sob pressão

A CIPU afirmou que a melhora não ocorreu de maneira uniforme entre as diferentes espécies e frotas. Na pesca em alto-mar, a lula registrou uma queda acentuada, compensada apenas parcialmente, em volume, pelo aumento das capturas de merluza. A merluza, entretanto, possui valor comercial consideravelmente menor.

A entidade informou que ainda não existem evidências suficientes para atribuir a redução da pesca de lula a uma única causa. No entanto, considerando a natureza da queda e as preocupações anteriormente levantadas pelo setor, a CIPU afirmou que a questão deve ser analisada como um possível sinal relacionado às atividades de prospecção sísmica.

O grupo defendeu a realização de um monitoramento técnico independente para avaliar os possíveis impactos sobre os recursos pesqueiros e as operações de pesca.

Falta de tripulantes mantém embarcações paradas

A CIPU também destacou que o recorde das exportações de corvina não significa que os problemas operacionais do setor tenham desaparecido.

Segundo a entidade, a escassez de capitães, oficiais de máquinas e marinheiros continua mantendo embarcações atracadas. As empresas estimam que a situação já tenha provocado a perda de mais de 300 dias de operação de embarcações, com impacto econômico superior a US$ 2 milhões, além da redução de empregos e da renda gerada em toda a cadeia produtiva.

Como exemplo, a CIPU informou que o navio frigorífico Río Solís II não conseguiu zarpar em 3 de agosto devido a uma exigência regulatória da Prefeitura Nacional Naval, segundo a qual a embarcação deveria contar com um capitão de pesca uruguaio. De acordo com as empresas, atualmente não existem profissionais disponíveis que atendam a essas condições para completar a tripulação.

As entidades empresariais afirmaram ter apresentado propostas ao Ministério da Defesa Nacional e à Prefeitura Nacional Naval para ampliar a disponibilidade de profissionais qualificados, sem alterar os requisitos de formação ou as normas de segurança.

“O crescimento da corvina não é acidental: quando a atividade consegue funcionar sem interrupções, responde rapidamente. Mas o recorde de uma espécie não deve esconder as dificuldades enfrentadas por outras frotas nem as embarcações que permanecem atracadas por falta de tripulantes. Temos capacidade para crescer muito mais e existem soluções concretas para tornar isso possível”, afirmou Carlos Abel Olivera, integrante da CIPU e diretor da Novabarca.

Para exportadores, operadores da cadeia de frio e prestadores de serviços portuários, o aumento das exportações uruguaias de corvina evidencia o potencial do comércio de pescados do país. Entretanto, a capacidade do setor de sustentar esse crescimento dependerá da continuidade operacional, da disponibilidade de tripulantes, da coordenação regulatória e da regularidade das atividades da frota.

Fonte: Ámbito

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