Exportadores brasileiros redirecionam embarques de carne bovina e frango para reduzir impacto da guerra com o Irã
mar, 30, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202614
Exportadores brasileiros de carne bovina e de frango esperam apenas interrupções limitadas em razão da guerra com o Irã, embora o quase fechamento do Estreito de Ormuz esteja forçando empresas a redirecionar embarques e absorver custos mais altos para manter o fluxo de suprimentos.
O conflito elevou os riscos para duas das principais cadeias exportadoras de proteínas do Brasil, especialmente a avicultura, fortemente exposta ao Oriente Médio. Ainda assim, exportadores afirmam estar encontrando rotas marítimas e terrestres alternativas para atender compradores na região, enquanto a demanda aquecida em outros mercados ajuda a amortecer o impacto sobre o comércio de carne bovina.
Exportadores de frango disseram que os embarques seguem fluindo para mercados estratégicos do Oriente Médio, apesar da turbulência logística. O presidente da ABPA, Ricardo Santin, disse à Reuters que as exportações de março estavam a caminho de superar as 476 mil toneladas métricas embarcadas no mesmo mês do ano passado.
Para manter a carga em movimento, os exportadores redirecionaram embarques pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez e passaram a usar portos alternativos e transporte rodoviário para alcançar compradores no Iraque, Catar, Emirados Árabes Unidos e outros mercados da região, afirmou Santin.
“São alternativas que levam mais tempo e custam mais”, disse ele, acrescentando que os gastos mais altos com combustível, armazenagem, transporte e risco de guerra estão sendo parcialmente compartilhados com importadores que buscam manter seus estoques.
Segundo dados da Datamar, o Oriente Médio respondeu por cerca de 32% das exportações brasileiras de carne de frango em janeiro de 2026, o que faz da avicultura um dos setores do agronegócio brasileiro mais expostos ao conflito. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, mercados-chave nessa região, foram o maior e o terceiro maior importador do produto brasileiro no primeiro mês do ano.
O gráfico a seguir ilustra os volumes mensais de exportação de carne de frango em contêineres, registrados desde janeiro de 2023. Os dados foram obtidos a partir de plataforma DataLiner da Datamar:
Exportações de Carne de Frango | Jan 2023 – Jan 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Exportadores de carne bovina também disseram que a guerra teve, até agora, efeito limitado, embora a Abrafrigo tenha alertado na sexta-feira que uma ampliação do conflito pode elevar ainda mais os custos logísticos.
Ao mesmo tempo, o setor também se ajusta às medidas de salvaguarda da China sobre as importações de carne bovina, que limitam o acesso do Brasil a uma cota de 1,1 milhão de toneladas sujeita a tarifa menor. Volumes acima desse teto enfrentam uma alíquota mais elevada, de 55%.
A Abrafrigo afirmou que o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, vem redirecionando embarques para mercados como Estados Unidos, União Europeia, Chile e Rússia, enquanto a oferta global mais apertada de gado também sustenta a demanda.
Nos dois primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina in natura e processada, incluindo miúdos e outros subprodutos, cresceram 39% em valor, para US$ 2,865 bilhões, enquanto o volume avançou 22%, para 557.240 toneladas, informou a Abrafrigo.
Adaptado de reportagem de Roberto Samora para a Reuters.
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