Fim do acordo que ameaça um dos principais destinos das exportações brasileiras de veículos
out, 14, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202543
Os embarques brasileiros de veículos para a Colômbia, terceiro principal destino das exportações do Brasil, cresceram 55,2% no acumulado deste ano. A alta não é por acaso: chegou ao fim, em 30 de setembro, o acordo bilateral entre os dois países que previa a venda anual de até 50 mil veículos do Brasil sem tarifas de importação.
Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o salto dos embarques para aquele país foi influenciado por um movimento de antecipação das exportações, diante da expectativa do fim do acordo, em vigor desde 2017.
“O que nós temos agora são ainda 11 mil veículos da cota remanescente dos dois primeiros anos do acordo, que poderão ser usados, na visão brasileira, até o final de 2026. Há ainda uma discussão jurídica, sobretudo por parte dos colombianos, de que esse volume restante deve ser usado até o final deste ano”, disse ele, na quarta-feira (8), em coletiva que apresentou os dados de setembro do setor.
De todo modo, a dúvida que paira é se os veículos brasileiros, que agora serão taxados em 16,1%, continuarão competitivos para o mercado colombiano ou se serão substituídos pelos veículos de outros países com os quais a Colômbia já possui acordos de livre comércio.
“Há mercados, como os próprios Estados Unidos, a China, a Coreia, que já detêm acordos de livre comércio com a Colômbia”, disse Calvet. “Nós seremos um parceiro menos preferencial para a Colômbia do que outros mercados.”
Ainda não é possível avaliar o quão competitivo permanecerá o Brasil frente à sobretaxa que entrou em vigor com o fim do acordo entre os dois países. Mas o fato é que qualquer taxação tende a diminuir as exportações brasileiras. “Esperamos que as negociações avancem, porque é um mercado superimportante para o Brasil. Outros países, se nós não agirmos rapidamente, terão acesso preferencial ao mercado colombiano”, afirmou o presidente da Anfavea.
A indústria automotiva brasileira tem sentido os efeitos do aperto monetário, apontado como fator que tem freado o ritmo de produção do setor. No trimestre encerrado em setembro, a produção de veículos caiu 0,8%, após altas de 10% nos dois anteriores, o que acende alerta sobre o desempenho do ano. Uma queda nas exportações, até então o melhor indicador do segmento, pode surgir como mais um sinal de desaquecimento, se concretizada.
No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras de veículos tiveram alta de 51,6%, somando 430,8 mil veículos, que já superam o total de embarques de 2024 (398,5 mil). Os embarques para a Colômbia no acumulado deste ano responderam por quase 10% do montante.
No cenário mais catastrófico, em que o Brasil perderia competitividade e deixaria de exportar para a Colômbia, o risco é uma queda proporcional nas exportações totais do setor.
Fonte: Valor Econômico
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