Finlândia vê novas oportunidades com o Brasil após acordo comercial
jun, 16, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202625
A Finlândia enxerga novas oportunidades de cooperação com o Brasil após a conclusão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia e a aprovação da reforma tributária brasileira. O maior potencial está nas áreas de digitalização e inteligência artificial, afirmou o embaixador da Finlândia no Brasil, Antti Kaski, em entrevista ao Valor.
Essa avaliação também está refletida no relatório *Doing Business in Brazil Guide 2026*, elaborado pela Embaixada e pelo Consulado da Finlândia no Brasil. O estudo destaca o Brasil como o principal parceiro comercial da Finlândia na América Latina, respondendo por 40% das exportações finlandesas para a região e atraindo US$ 1,2 bilhão em investimentos finlandeses, especialmente no setor industrial.
“As relações comerciais são muito fortes e próximas, mas ainda há um espaço considerável para crescimento. Uma característica interessante é que elas são complementares”, afirmou o embaixador. Segundo Kaski, cerca de 70 empresas finlandesas atuam no Brasil. As principais áreas de atividade incluem telecomunicações, máquinas florestais, mineração, energia e produtos químicos.
O relatório afirma que o Brasil está consolidando sua posição como um polo regional de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento industrial verde, ao mesmo tempo em que se destaca como um mercado estratégico para setores como a bioeconomia e a indústria verde. Kaski ressaltou as oportunidades em digitalização e inteligência artificial, especialmente por meio da construção de data centers energeticamente eficientes, infraestrutura essencial para o desenvolvimento da IA.
O embaixador destacou que avanços no marco regulatório brasileiro são fundamentais para destravar investimentos, mas observou que a parceria digital recentemente assinada entre o Brasil e a União Europeia, anunciada na sexta-feira (12), oferece um importante roteiro para a cooperação futura.
“A União Europeia possui esse tipo de parceria com apenas quatro países. É uma excelente base para diálogo e cooperação”, afirmou.
Outro passo nessa direção, segundo ele, é a colaboração entre a Nokia e a Universidade de Oulu com pesquisadores brasileiros em um projeto para desenvolver a tecnologia 6G.
O acordo Mercosul-União Europeia, por sua vez, pode contribuir para trazer maior previsibilidade a um mercado desafiador como o brasileiro. De acordo com o estudo, o tratado deverá criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 25% do PIB global.
Kaski acrescentou que a reforma tributária brasileira também ajudou a simplificar um sistema tributário complexo, marcado por tarifas elevadas em determinados setores e por procedimentos burocráticos de importação e exportação.
“A mensagem das empresas é que o Brasil não é um ambiente de negócios muito simples. É justamente aí que esperamos que o acordo Mercosul-União Europeia ajude, proporcionando mais clareza e procedimentos mais padronizados.”
Apesar da polarização política no Brasil e das incertezas associadas a um ano eleitoral, Kaski considera o apoio bipartidário ao acordo comercial no Congresso Nacional um sinal positivo, capaz de transmitir confiança às empresas estrangeiras.
“Tem um enorme significado simbólico o fato de essas regiões terem conseguido concluir um acordo internacional, estabelecer regras comerciais e criar um diálogo político no mundo atual.”
O embaixador afirmou que o tratado faz parte de uma mudança mais ampla de natureza “geoeconômica”, na qual novos acordos comerciais estão sendo firmados em meio ao aumento do protecionismo e das disputas tarifárias.
“Imprevisibilidade, tarifas comerciais e esse tipo de medida não beneficiam ninguém. No entanto, podem criar oportunidades para outros mercados. O mundo está passando não apenas por mudanças geopolíticas, mas também geoeconômicas. Talvez o acordo Mercosul-União Europeia faça parte dessa transformação”, disse Kaski.
Ele acrescentou que o comércio entre Brasil e Finlândia é atualmente impulsionado principalmente por transações entre empresas, mas que o acordo poderá estimular uma maior circulação de bens de consumo entre os dois mercados.
Hoje, as empresas finlandesas estão interessadas em ir além do fornecimento de máquinas e equipamentos, buscando desenvolver conjuntamente tecnologias sustentáveis com o Brasil, com foco em oportunidades nas áreas de bioenergia, redes elétricas inteligentes, conectividade e minerais críticos.
Fonte: Valor International
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