Fluxos de petróleo do Golfo recuperam 81% do nível pré-guerra em setembro
out, 06, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202641
Os fluxos de petróleo e derivados dos países do Golfo, excluindo o Irã, subiram para mais de 81% dos níveis anteriores à guerra em setembro, impulsionados pela recuperação das exportações da Arábia Saudita. O avanço ocorreu apesar dos ataques à infraestrutura petrolífera saudita e da intensificação das ofensivas iranianas contra a navegação regional. Os embarques do Irã, por sua vez, caíram a zero em meio ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
O bloqueio praticamente interrompeu as exportações iranianas. Outros produtores da região, no entanto, vêm adaptando suas operações aos ataques contra navios e instalações de energia, recorrendo aos chamados dark transits, nos quais petroleiros desligam seus sistemas de rastreamento para reduzir o risco de detecção e manter o fluxo de petróleo que sustenta suas economias.
Segundo dados da Vortexa, as exportações de petróleo bruto, condensados e derivados, incluindo gás liquefeito de petróleo (GLP), somaram em média 19,2 milhões de barris por dia em setembro entre Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Omã, Bahrein, Iraque e Emirados Árabes Unidos.
No ano anterior ao início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, esses fluxos haviam alcançado uma média de aproximadamente 23,6 milhões de barris por dia.
Exportações de petróleo do Golfo se recuperam, mas derivados seguem pressionados
A redução dos embarques de combustíveis refinados agravou a escassez global de diesel e combustível de aviação, contribuindo para preços recordes ou próximos de máximas históricas em vários mercados.
O Oriente Médio é um dos principais fornecedores globais desses produtos, o que amplia o impacto das interrupções regionais sobre consumidores em outras partes do mundo.
Ataques com drones obrigaram a Arábia Saudita a interromper no mês passado as operações do oleoduto Leste-Oeste, suspendendo temporariamente os carregamentos de petróleo bruto no porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
A recuperação das exportações sauditas mais do que compensou as quedas registradas em outros países do Golfo, respondendo por todo o crescimento líquido dos embarques da região em setembro.
O avanço ocorreu mesmo com as exportações iranianas reduzidas a zero e com recuos nos embarques do Kuwait e do Catar. Os maiores volumes enviados pela Arábia Saudita compensaram essas perdas, enquanto Emirados Árabes Unidos e Iraque também ampliaram suas exportações.
A recuperação dos fluxos mostra a capacidade dos produtores do Golfo de adaptar parte de suas operações às restrições provocadas pelo conflito. Ainda assim, a menor disponibilidade de derivados mantém a pressão sobre o mercado internacional de combustíveis, especialmente diesel e combustível de aviação.
Fonte: Reuters
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