Forte demanda impulsiona moagem de trigo no Brasil a nível recorde
maio, 27, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202622
A indústria brasileira de moagem de trigo processou um volume recorde do cereal no ano passado, atingindo 13,27 milhões de toneladas, alta de 0,6% em relação a 2024. Os dados foram divulgados na segunda-feira (25) pela Abitrigo, associação que representa as empresas de moagem do país. A forte demanda do consumidor e a maior diversificação de produtos na indústria impulsionaram o recorde de moagem.
Segundo Daniel Kümmel, presidente do conselho da Abitrigo, o crescimento da moagem segue uma tendência consistente nos últimos anos.
“Estamos em uma curva de crescimento desde 2021. O crescimento total nos últimos cinco anos chegou a 4,5%”, afirmou.
Ele destacou que o avanço da moagem superou o crescimento populacional, indicando maior consumo de produtos à base de trigo no Brasil.
“Os consumidores brasileiros claramente estão consumindo mais produtos derivados de trigo”, disse.
A mudança também se reflete no mix de produtos. De acordo com a pesquisa da Abitrigo, embora os produtos de panificação ainda representem cerca de 30% da produção da moagem de trigo no Brasil, cresce a demanda por pré-misturas, massas, biscoitos, pão congelado e produtos premium, como farinhas especiais e integrais.
“Os pães especiais e artesanais também estão crescendo. A diversidade de produtos disponíveis hoje é muito maior”, afirmou Kümmel.
Do trigo processado em 2025, quase metade (49,3%) foi importada, principalmente da Argentina, além de Paraguai e Uruguai, segundo a Abitrigo.
A pesquisa da associação também mostrou o grau de dependência de diferentes regiões brasileiras em relação ao trigo importado. No Nordeste, as importações representam 95% da demanda. No estado de São Paulo, o índice chega a 72%, enquanto no Centro-Oeste, junto com Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as importações representam 64%.
Segundo Kümmel, a logística influencia diretamente essa dinâmica.
“Os moinhos do Norte e Nordeste já possuem uma estrutura consolidada para receber trigo importado. Estruturalmente, é muito mais viável”, afirmou.
O executivo também apontou uma queda na qualidade do trigo argentino na última safra.
“Foi o ano de maior impacto na qualidade do grão argentino. Houve redução nos níveis de proteína e glúten”, disse.
A situação levou os moinhos brasileiros a utilizarem trigo nacional para melhorar a qualidade das misturas.
“O trigo brasileiro foi usado para melhorar o trigo argentino, algo sem precedentes”, afirmou.
Mesmo com a forte demanda, o setor segue preocupado com o aumento dos custos em toda a cadeia produtiva, especialmente porque grande parte do trigo processado vem do exterior.
Kümmel afirmou que a guerra no Irã elevou principalmente os custos de frete e embalagens.
“Todas essas variáveis geram grande preocupação em relação ao fluxo de abastecimento e aos preços dos produtos finais”, disse.
Segundo ele, parte desse aumento poderá ser repassada aos consumidores, afetando preços de pão, massas e biscoitos.
“Se absorvermos esses custos, tecnicamente haverá uma transferência de custos para o mercado”, afirmou.
Fonte: Valor International
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