Frigoríficos esperam acordo entre Brasil e UE antes do prazo para embargo às exportações
jun, 19, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202625
A indústria frigorífica brasileira está confiante de que as negociações entre o governo e a União Europeia resultarão na reinclusão do país na lista de exportadores autorizados de carne e produtos cárneos antes de setembro, quando está previsto entrar em vigor um embargo relacionado ao uso de antimicrobianos.
O setor aposta no avanço das negociações técnicas com base em um protocolo elaborado pela iniciativa privada para separar bovinos que nunca receberam antimicrobianos. Também espera que as autoridades europeias aceitem um período de transição para permitir que a cadeia produtiva se adapte integralmente às novas regras. A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é vista como um fator que pode impulsionar as negociações.
Renato Costa, CEO da Friboi e presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), reconheceu na quinta-feira (18) que tanto a pecuária quanto o governo federal demonstraram certa “passividade”, considerando que a regulamentação europeia sobre antimicrobianos não é recente. Segundo ele, a situação exige maior envolvimento da indústria farmacêutica para oferecer alternativas aos produtos proibidos pela UE.
“Estamos confiantes. O tema precisou ser elevado ao nível político para ver se isso aceleraria [as negociações]. O presidente Lula, no G7, apresentou não apenas nosso pedido. Há também o trabalho do Ministério da Agricultura para convencer a comunidade europeia a aceitar o protocolo”, disse Costa à imprensa durante o Fórum Internacional do Agronegócio (Fiap).
Costa afirmou que o recente reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, além de outros avanços na sanidade animal, podem fortalecer a posição do país.
“Acredito que ainda há tempo para reverter a situação. O cenário ideal seria voltar à lista de aprovados, apresentar o protocolo e solicitar um período de transição”, afirmou.
Esse período permitiria implementar o protocolo e certificar que os animais não foram expostos a antimicrobianos durante todo o ciclo produtivo, que dura cerca de 30 meses entre o nascimento e o abate. O Brasil não terá esse nível de rastreabilidade implantado até setembro.
Na semana passada, a Abiec e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) pediram ao governo a ampliação da proibição de produtos antimicrobianos. O setor ainda não recebeu resposta.
Costa afirmou que a proposta, criticada por pecuaristas e empresas de saúde animal, teve como objetivo chamar a atenção para a falta de ação sobre o tema. Ela também reflete a preocupação da indústria em perder um mercado que paga preços mais elevados do que muitos outros destinos de exportação.
“Até então, tínhamos visto muito pouca movimentação”, disse.
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 2722 TEUs (+28% a/a) de carne bovina para os países da União Europeia. Confira a seguir os volumes mensais de exportação segundo dados da plataforma DataLiner.
Exportação de Carne Bovina | Jan 2023 – Abr 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Uma das principais críticas dos produtores é a limitada disponibilidade no Brasil de alternativas aos antimicrobianos atualmente utilizados em rações e tratamentos veterinários. Costa afirmou que essas alternativas já estão disponíveis em países concorrentes, como Uruguai e Argentina, e poderiam ser fornecidas aos produtores brasileiros.
“Para ser sincero, houve um certo grau de passividade por parte de todos”, afirmou.
O executivo da Friboi destacou que cerca de 1.200 fazendas brasileiras estão atualmente autorizadas a exportar para a União Europeia. Elas integram a lista Traces, que atende aos requisitos de rastreabilidade do bloco, mas não às novas regras relacionadas ao uso de antimicrobianos e promotores de crescimento.
“A União Europeia proíbe esses produtos desde o início dos anos 2000. A conformidade tornou-se obrigatória para todos os produtores europeus em 2022 e agora as regras estão sendo estendidas aos países terceiros que desejam exportar para o bloco”, explicou Damian Lluna, assessor da Delegação da União Europeia no Brasil.
Segundo ele, o anúncio de um mecanismo de diálogo com o governo brasileiro após a intervenção do presidente Lula “sinaliza um claro compromisso do lado europeu em trabalhar com o Brasil para reverter a situação”.
As exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia totalizaram US$ 1 bilhão e 128 mil toneladas em 2025, o equivalente a 3,5% das exportações totais do país. Como a UE importa cortes de maior valor agregado, um eventual fechamento do mercado poderia afetar as margens de lucro, embora os volumes exportados possam ser redirecionados para outros destinos, segundo o CEO da Friboi.
O repórter viajou a convite da JBS.
Fonte: Valor International
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