Guerra com o Irã eleva custos globais e pressiona cadeias de suprimentos
abr, 06, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202614
Fábricas em todo o mundo enfrentaram forte aumento nos custos de insumos e interrupções nas cadeias de suprimentos em março devido à guerra com o Irã, enquanto a demanda ainda fraca ameaça comprometer a frágil recuperação do setor manufatureiro, mostraram pesquisas.
O conflito tem desorganizado redes logísticas globais, causando atrasos nas entregas, elevando a inflação dos insumos e distorcendo indicadores de crescimento.
Os preços mais altos de petróleo e energia levaram os fabricantes a reagirem e aumentarem seus preços de venda.
Os índices PMI — normalmente um sinal de aumento da atividade — foram artificialmente elevados pelo choque de oferta, que prolongou os prazos de entrega, afirmou Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global.
Esse foi o caso do índice da zona do euro. Já na Ásia, muitas economias registraram queda, sinalizando que o aumento dos custos de combustível e a incerteza gerada pela guerra com o Irã estão afetando a atividade.
O índice PMI industrial da zona do euro da S&P Global subiu para 51,6 em março, ante 50,8 em fevereiro, acima da estimativa preliminar de 51,4. Leituras acima de 50 normalmente indicam expansão.
“Embora a alta do índice geral seja, à primeira vista, surpreendente diante do novo choque energético global — especialmente porque a prévia apontava fraqueza no setor de serviços — o resultado agregado esconde diferenças relevantes entre os países”, afirmou Mariana Monteiro, do JP Morgan.
Alemanha e Itália registraram seus melhores resultados em 46 e 37 meses, respectivamente, enquanto a Espanha foi o único país em contração. A Grécia apresentou o maior índice, seguida pela Irlanda, enquanto a indústria da França ficou estagnada.
No Reino Unido, fora da União Europeia, as pressões de custo dispararam e os atrasos nas entregas — devido a navios evitarem o Estreito de Ormuz — atingiram o maior nível desde meados de 2022.
Pressão na Ásia
Os dados destacam o desafio enfrentado por formuladores de políticas na Ásia, região que compra cerca de 80% do petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz, tornando muitos países vulneráveis ao choque energético causado pela guerra. Em Manila, por exemplo, motoristas já enfrentam preços do diesel triplicados, enquanto um aperto no fornecimento de combustível de aviação se aproxima no Vietnã, e grandes empresas de cosméticos da Coreia do Sul buscam resina plástica em diversos mercados.
Na China, o setor manufatureiro cresceu pelo quarto mês consecutivo em março, embora em ritmo mais lento, com aumento das pressões inflacionárias e dos problemas na cadeia de suprimentos, segundo pesquisa privada.
O PMI industrial geral da China, medido pela RatingDog, caiu para 50,8 em março, ante 52,1 em fevereiro, abaixo da previsão de 51,6.
A atividade industrial desacelerou em economias como Indonésia, Vietnã, Taiwan e Filipinas, segundo outros PMIs, evidenciando os impactos do conflito no Oriente Médio sobre as empresas.
As fábricas japonesas também foram afetadas pela piora do ambiente de negócios e pela alta de custos, que atingiram o maior nível em 19 meses.
Reportagem de Jonathan Cable e Leika Kihara, para a Reuters.
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