Navegação

Hapag-Lloyd e CMA CGM suspendem reservas para Cuba após ordem executiva dos EUA

maio, 18, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202621

As armadoras Hapag-Lloyd e CMA CGM suspenderam, até novo aviso, todas as reservas de carga com origem ou destino em Cuba, em mais um golpe sobre a economia da ilha, já pressionada pela crise de abastecimento e pelo endurecimento das sanções dos Estados Unidos. As duas companhias atribuíram a decisão a uma ordem executiva assinada pelo governo americano em 1º de maio.

Segundo duas fontes com conhecimento direto do assunto, a interrupção temporária de novas reservas por duas das maiores empresas de navegação do mundo pode comprometer até 60% do tráfego marítimo cubano em volume. O impacto recairia sobre um país que já enfrenta um cenário crítico, agravado pelo bloqueio americano ao petróleo, que vem restringindo severamente o fornecimento de combustíveis.

“Após a ordem executiva dos EUA emitida em 1º de maio, a CMA CGM decidiu suspender suas reservas de e para Cuba até novo aviso”, informou a companhia francesa, em comunicado enviado por e-mail. A empresa acrescentou que segue monitorando de perto a situação e que adaptará suas operações em conformidade com a regulamentação aplicável.

Um porta-voz da Hapag-Lloyd afirmou que a empresa alemã tomou medida semelhante, suspendendo reservas relacionadas a Cuba “devido aos riscos de compliance associados à ordem executiva do presidente dos EUA de 1º de maio”.

O governo cubano não respondeu de imediato aos pedidos de comentário.

A ordem assinada por Donald Trump ampliou as sanções comerciais já existentes contra Cuba e passou a incluir “qualquer pessoa estrangeira” que atue nos setores de energia, defesa e materiais relacionados, metais e mineração, serviços financeiros, segurança ou em qualquer outro segmento da economia cubana.

De acordo com as fontes, as rotas com origem na China devem ser as mais afetadas. Em seguida aparecem os fluxos vindos do norte da Europa e do Mediterrâneo. Ainda assim, o efeito tende a atingir o transporte marítimo para Cuba de forma ampla.

Um dos pontos centrais levados em conta pelas armadoras, segundo essas fontes, foi a necessidade de eliminar qualquer operação ligada à Gaesa, conglomerado empresarial vinculado às Forças Armadas cubanas e alvo de fortes sanções por parte dos Estados Unidos.

A mesma ordem executiva já havia levado, no início do mês, a canadense Sherritt International a deixar suas operações de níquel e cobalto em Cuba, após décadas de investimento no país.

A decisão das armadoras, noticiada primeiro pelo site CiberCuba, pode ter consequências pesadas para as importações essenciais da ilha, em um momento em que a população já convive com escassez de produtos básicos e racionamento.

Segundo as fontes, há diferentes caminhos em discussão para Hapag-Lloyd e CMA CGM. As empresas podem optar por encerrar de vez as operações com Cuba ou buscar um entendimento com o governo Trump que permita manter embarques destinados apenas ao setor privado da ilha.

Essa segunda alternativa, ainda segundo essas fontes, estaria alinhada à estratégia da Casa Branca de favorecer os negócios privados em Cuba em detrimento do setor estatal.

Fonte: Reuters

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